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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador: De um conto de fadas para uma aventura épica marcante

Rupert Sanders juntamente com os mesmos produtores de “Alice”, trazem à tona uma versão contemporânea, madura e sombria deste lendário clássico


Por Jorge Nunes Chagas

Começo este post pedindo desculpas a você, caro leitor, apreciador da sétima arte e que vinha me acompanhando. Dividido por outras obrigações, fiquei impossibilitado de acompanhar os lançamentos com a mesma frequência habitual, porém, sempre que possível e de forma eventual, procuro assistir e por fim voltar a escrever. Quero agradecer por me prestigiar e espero contribuir novamente em sua decisão na hora de escolher este ou aquele filme para assistir.

Nos últimos anos, nos deparamos com novas adaptações de clássicos contos lendários compostos de roteiros rudimentares, mas que fizeram enorme sucesso em sua época como Chapeuzinho Vermelho, Alice no País das Maravilhas e tantos outros. Inclusive os mesmos produtores se encontram nesta produção que pretendo discernir aqui. A retomada de clássicos se deve também, é claro, da falta de criatividade dos produtores Hollywoodianos, pois vislumbramos, quase que sistematicamente, a adaptações de livros, continuações (MIB 1, 2 e 3,por exemplo)e remakes.

Confesso que isso me irrita às vezes, entretanto, enxergo uma oportunidade para que a atual geração possa partilhar destas histórias, pois, infelizmente, muitos de nossa sociedade atual não se interessam em saber sobre estas histórias e, por vezes, de nosso passado, se fazendo necessário este tipo de intervenção a fim de despertar a curiosidade do grande público.


Pois bem, o filme em questão desta vez é “Branca de Neve e o Caçador” (“Snow White and the Huntsman”). Temos uma Charlize Theron (“Prometeus”, 2012) maléfica e convincente no papel da rainha má Ravenna, numa atuação segura e com uma presença de câmera de impressionar. Na pele de Branca de Neve temos Kristen Stewart que, na minha visão, ainda está um tanto difícil se desvincular de Bela Swan da Saga “Crepúsculo”, assim como Chris Hemsworth quando protagonizou “Thor” e “Os Vingadores”, este no papel do caçador Eric. Juntos, o trio (entre os demais atores) transformou a antiga fantasia em um épico de chamar bastante à atenção.


A estrutura básica da história é a mesma, contudo, o aclamado diretor de comerciais Rupert Sanders adiciona tons mais sombrios, rebeldes e medievais na película. A rainha má precisa destruir a única mulher mais bela (olha a do Crepúsculo ai, se é que entenderam o trocadilho!) do reino para alcançar a imortalidade, porém, tanto uma como a outra decidem se confrontar. Branca de Neve passa a treinar a arte da guerra com Eric, o caçador enviado por Ravenna para matá-la, sendo que a rainha má nem imagina de tal fato. Assim, Branca de Neve terá condições de enfrentá-la, ela que, mais tarde, irá contar também com a ajuda de William (Sam Claflin), o jovem duque há tempos encantado por sua pureza e coragem.


A atuação de Charlize é antológica, ofuscando de forma efusiva o papel de Kristen a ponto de torcermos pela vilã em alguns momentos (ou não, dependendo do ponto de vista do expectador). Mal comparando, Kristen Stewart está para Branca de Neve assim como Christian Bale está para Batman no “Batman – Cavaleiro das Trevas”, onde mais uma vez o vilão chamou mais atenção do que o herói. Neste caso, o Coringa, interpretado por Heath Ledger, rouba a cena com seu brilhantismo, minimizando a atuação de Bale e fazendo digna a homenagem póstuma que recebeu quando conquistou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (ou diria Melhor Ator “principal”?!), no Oscar de 2009. Que Deus o tenha!


No longa ao qual estou elucidando, encontrei inúmeras referências interessantes. Quando vi Bela, digo, Branca de Neve em sua primeira cena, ela parecia ter encontrado os dementadores do filme Harry Potter, além de, posteriormente, numa cena protagonizada na floresta negra, lembrei-me do gás alucinógeno do espantalho, o arquirrival de Batman em “Batman Begins (2005)”- olha o Batman de novo -, entre tantos.


Chris Hemsworth fez um papel do que se espera dele, apresentando características já vistas em “Thor” como teimosia, vitalidade, agressividade e um coração nobre. Em alguns momentos, ao ver Chris contracenando com Kristen quando lhe ensinava a arte da guerra, me recordei do assassino Léon em “O Profissional (1994)”, interpretado por Jean Reno, quando treinava Mathilda, vivida por Natalie Portman, uma adolescente que se envolveu com o matador e pediu que a ensinasse o manuseio de armas para que ela pudesse se vingar da morte de seus familiares.


Comparações à parte, o filme é repleto de excelentes efeitos visuais fazendo do diretor de arte Dominic Watkins caprichar e muito nos detalhes, além de um figurino de época de fazer inveja. Não é à toa a convocação da premiada figurinista Colleen Atwood, uma inovadora na arte da costura que trabalhou em “Alice” e, desta vez, foi buscar em Instambul sua inspiração, criando roupas que se misturaram de forma imperceptível a aquele universo, dizendo muito sobre ele e suas figuras.

A trilha de James Newton Howard pontua com maestria cada momento da fita, fazendo-a digna de um épico grandioso. A fotografia não deixa por menos, com um grande trabalho de Greig Fraser que, em conjunto com os demais produtores, nos fazem crer que o que vemos é de fato real. Tenho de creditar também a boa adaptação do roteiro por parte dos roteiristas Evan Daugherty, John Lee Hancock e Hossein Amini, que transformaram uma história infantil em uma história para adultos, mantendo sua essência.


O elenco conta com Sam Spruell como Finn, o irmão de Ravenna e os sete anões: Ian McShane, na pele de Beith, líder dos anões, Nion, vivido por Nick Frost, o braço-direito de Beith, Muir, vivido por Bob Hoskins um sábio vidente e líder cego, Quert, interpretado por Johnny Harris, o guia do pai vidente, Gort, interpretado por Ray Winstone, Coll, vivido por Toby Jones, Duir interpretado por Eddie Marsan, Gus, vivido por Brian Gleeson, que se apaixona por Branca de Neve quando a conhece e a protege em um momento de perigo extremo, além de Raffey Cassidy a linda criança que vive a Branca de Neve quando criança.

É interessante o fato de o diretor Rupert Sanders ser estreante em longas, ele que é nato na arte de se fazer comerciais inovadores como do game “Halo 3”. Segundo os produtores, Sanders tinha a visão e habilidade necessária para que a produção fosse bem sucedida. E creio eu que foi.

“Branca de Neve e o Caçador” estreia nesta sexta, 01/06, somente nos cinemas e é uma boa pedida a conferir. Recomendo!

Dou Nota 8,0


Publicação Agência Zapp News


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Xingu: Dicotomia de interesses em prol da região indígena

A obra de Cao Hamburguer baseada em uma história real traz à tona a heroica saga dos irmãos Villas Bôas




Por Jorge Nunes Chagas

“Estar em lugares que ninguém nunca esteve”. Esta frase dita no filme é fundamental para entender a intenção do diretor Cao Hamburguer ("O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", 2006) e dos jovens aventureiros retratados nesta aventura histórica do cinema nacional.

A história de Xingu tem seu início nos anos 40 e parte da iniciativa dos irmãos Villas Boas, que se alistam na Expedição Roncador-Xingu para juntos realizarem uma expedição rumo a novas descobertas pelo Brasil Central. Os desbravados jovens Cláudio (João Miguel - "Bonitinha Mas Ordinária", 2009), Leonardo (Caio Blat – “Bróder”, 2010) e Orlando Villas Bôas (Felipe Camargo – “Som e Fúria – O Filme”, 2009), partem para uma missão que, mais tarde, têm maior significância ao conhecer o povo indígena daquela região explorada.

Um dos primeiros aspectos do filme que me chamaram a atenção foi a fotografia de Adriano Goldman que, particularmente, me fez alusão ao lendário documentário “Cabra Marcado para Morrer” de Eduardo Coutinho. Mas não só isso. Os sucintos mistérios aliado ao sentimento de descobrir coisas é outro fator muito semelhante ao documentário dele. É como se, de certa forma, estivéssemos assistindo a um documentário do Discovery Channel.


Pois bem, através das águas do Rio Xingu, os irmãos Villas Bôas são levados a aldeias da tribo dos Kalapalos. O estranhamento e a interação entre brancos e indígenas são retratados com muita riqueza de detalhes, tornando a experiência do filme saborosa e fascinante devido às descobertas de nossos exploradores, fazendo de nós expectadores testemunhas oculares de luxo de seus feitos. Dois mundos diferentes que se encontram para atingir um só objetivo, cuidarem um do outro, pelo menos na teoria.



A história ganha outros contornos. Interesses políticos e militares surgem para distorcer a missão dos jovens irmãos num jogo de interesses e de poder. O que era, a princípio, para ser uma assistência dos brancos aos indígenas, torna-se um compromisso de maior seriedade devido ao alto envolvimento que tiveram a fim de preservar suas culturas. O caminho acaba ficando perigoso e sem volta, transformando para sempre a vida de todos os envolvidos.

O clima do filme, com cidadãos usando roupas sujas no corpo se contrasta com as belezas naturais, as belas índias, os riachos cristalinos e as belas florestas. As lutas e resistências sucedidas chegaram a um denominador comum, a construção do Parque Nacional do Xingu, um parque ecológico e reserva indígena que já foi considerado o maior do mundo. Unidos, estes fatores são de uma beleza simplista de emocionar. A trilha de Beto Villares, bem ao estilo “pantanal”, é um complemento a mais nesta película.


Este longa baseado em uma história real e com um viés de documentário, conta também com as participações de Maiarim Kaiabi (Prepori), Awakari Tumã Kaiabi (Pionim), Adana Kambeba (Kaiulu), Tapaié Waurá (Izaquiri), Totomai Yawalapiti (Guerreiro Kalapalo) e aparições especiais de Maria Flor (Marina), Augusto Madeira (Noel Nutels) além de Fabio Lago (Bamburra). Este último parece gostar de encarnar personagens do tipo “trabalhador em terras desconhecidas”, pois houve um personagem vivido por Fabio na minissérie “JK”, o Severino (o Gaúcho), que tinha características muito semelhantes.

Recomendo este filme não só pelos motivos explícitos acima, mas também por ser um importante capítulo da história brasileira. A obra conta com a produção de Fernando Meirelles (que dirigiu “Cidade de Deus” de 2002), Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlinck. Xingu estreia nesta sexta-feira, dia 06/04 somente nos cinemas.

Dou Nota 8,5


Publicação Agência Zapp News

quarta-feira, 21 de março de 2012

Heleno – O Príncipe Maldito: Impiedoso, porém inesquecível

Rodrigo Santoro traz à tona a história do problemático e genial craque Heleno de Freitas numa atuação de gala


Por Jorge Nunes Chagas

Intenso, charmoso, temperamental, estas são algumas das fortes atribuições de um célebre jogador de sua época que viveu como o brasão de seu clube, uma verdadeira estrela solitária, analogia esta que vocês irão entender nas linhas seguintes.

O filme em questão chama-se “Heleno - O Príncipe Maldito”, sobre o famoso e polêmico jogador do Botafogo Heleno de Freitas, interpretado de forma magistral pelo ator Rodrigo Santoro que, na minha modesta opinião, teve atuação digna de Oscar. A observação passa a ser compreensível a partir do momento que levamos em consideração o fato dele ter conquistado o Prêmio de Melhor Ator na 33ª edição do Festival de Cinema Latino-Americano de Havana, em Cuba, no ano de 2011.

A característica que une o ator com seu personagem é realmente a entrega, a busca pela excelência no que se propôs a fazer, tanto que Rodrigo Santoro precisou emagrecer 12 quilos para realizar cenas quando o jogador se encontrava em estado mais delicado, quando ficou louco no fim de sua vida.


A obra do diretor José Henrique Fonseca (“O Homem do Ano” - 2003) foi rodada em preto e branco (com direção de fotografia de Walter Carvalho) para relembrar e sentir a época dos anos 40, um período glamouroso que remete a era de ouro do cinema hollywoodiano e suas perspectivas (parece um prelúdio para “O Artista”, mas desta vez não é). O foco são as aventuras e desventuras do ídolo botafoguense desde o auge de sua carreira até a decadência, loucura e por fim internação num sanatório nos anos 50. O longa compreende todo este processo, do sucesso ao seu anonimato aos 39 anos, por conta da guerra, da sífilis e do desvio ao que estava inicialmente destinado. Por vezes, a forma expositiva do filme era através de flashes do passado compactuando com a vida atual apresentada em dado momento.


Heleno, vulgo “o príncipe do Rio”, tinha sua vida dentro de campo como uma pessoa ligada na tomada de 220 Volts a 200 km por hora, que não tolerava a mediocridade dos seus colegas de profissão e brigava com todo mundo, inclusive com os dirigentes. Já fora de campo, era o galã de vida glamourosa, frequentador de salões elegantes, portador de carros luxuosos e sempre acompanhado de lindas mulheres. Falando nelas, duas fizeram diferença em sua vida. São elas: Sílvia, a que veio a ser a esposa de Heleno interpretada pela atriz Alinne Moraes (“O Homem do Futuro” – 2011) e Diamantina, uma cantora de boate muito sedutora interpretada pela bela atriz colombiana Angie Cepeda ("Una hora más em Canarias" - 2010), como amante de Heleno. A relação entre as duas ascendeu à trama.


A obsessão de Heleno para jogar a Copa do Mundo de 50 o tornou um louco, uma estrela solitária em sua jornada. Para entender, peço a gentileza de assistirem ao filme! O drama em questão me fez alusão a diversas referências cinematográficas. Além de “Touro Indomável” de 1980, com um Robert De Niro perturbador, me lembrei até de Meryl Streep em “A Dama de Ferro”, pois sua atuação, assim como a de Rodrigo Santoro, foram “gigantescas” o bastante para ambos salvarem seus filmes.


Em “Heleno”, cheguei a vislumbrar tamanha mediocridade no que estava vendo a ponto de me perguntar por um momento: — “Porque estou vendo isto?” Pois bem, se junto os fatores e analiso à fio para julgar a vida do atleta, ela era de fato medíocre, mesmo com todo o sucesso que tinha na imprensa, mas lá no fundo, suas atitudes favoreceram demais para o seu declínio, como por exemplo a não convocação à Copa. Entretanto, por ele viver situações-limites quase todo o tempo, consegui perceber a grandiosidade do personagem vivido por Santoro. Heleno foi um dos precursores dos chamados “bad boys” do futebol contemporâneo. Se fosse um jogador que não tivesse nenhum tipo de diferencial, certamente não haveria motivos para ser retratado nas telonas.

A abordagem deste longa-metragem se difere, pois o foco não é exatamente o futebol, mas sim a vida desregrada de Heleno e a forma de lidar com o estrelato, tendo o esporte como seu pano de fundo, por se tratar de sua profissão. As cenas de Heleno no campo foram produzidas de maneira minimalista, apesar de o ator ter treinado os fundamentos futebolísticos para não ficar devendo. Sua determinação chegou a tal ponto que chegou a retirar grana do próprio bolso para ajudar a terminar o filme. Com muito esforço, a produção chegou a ter o apoio da EBX, do multibilionário Eike Batista para finalização dos trabalhos. O filme ficou orçado em 8,5 milhões.


Este filme provoca reflexões através de erros e acertos do jogador aliada a bela atuação de Santoro, a uma trilha de época consistente, com fotografia, cenas e até frases emblemáticas. É um bom drama, que já está dando o que falar. É bom ver o cinema brasileiro retratar coisas que fogem um pouco o perfil de filmes violentos como “Cidade de Deus” de Fernando Meirelles e “Tropa de Elite” de José Padilha, pois chego a conclusão que, mesmo os dois citados terem sido nossos representantes no Oscar, ambos não levaram prêmios, pois o melhor que o Brasil tem a oferecer não é a violência, e sim a cordialidade, o hibridismo de culturas de um povo lindo e sorridente apesar das adversidades.

Heleno tem sua pré-estreia na próxima sexta-feira, dia 23 de março, mas sua estreia será no próximo dia 30 de março de 2012, somente nos cinemas. Confere lá!

Dou Nota 8,0


Publicação Agência Zapp News

sexta-feira, 9 de março de 2012

Guerra é Guerra: comédia, mas com ação desproporcional

Ação de boa octanagem e muita ousadia marca este longa do diretor McG


Por Jorge Nunes Chagas

Você colocaria uma amizade de muitos anos a perder por conta de uma mulher? Esta pergunta, creio eu, é a grande premissa para o desenrolar da trama que pretendo discernir aqui.


O centro das atenções chama-se Lauren Scott, interpretada por Reese Witherspoon (vencedora do Oscar pelo papel vivido em “Johnny e June”). Lauren, uma avaliadora sênior de produtos e líder bem sucedida em sua empresa, é carente no amor. Então, ela, com a ajuda de sua melhor amiga Trish (Chelsea Handler - da série de TV “Are You There, Chelsea?”) decide procurar o homem ideal.


Até ai tudo bem, se não fosse o que mais tarde se tornaria um triângulo amoroso, e do mais perigoso possível. Os dois homens em questão se tratam de agentes secretos da CIA, dois amigos inseparáveis e espiões veteranos que, pelas circunstâncias da vida e o mais puro acaso, acabam disputando a mesma mulher. Lauren começa a ter um romance com Tuck (Tom Hardy – “A Origem”), um homem de família, tradicional, apesar da profissão perigosa. Já FDR Foster (Chris Pine – “Incontrolável”) é um daqueles típicos cafajestes que, aos poucos, vai amolecendo o coração. Trish acaba sendo importante por incentivar a amiga a manter uma relação com os dois “partidões”. Apesar do “loves in the air”, temos o bandidão Heirich na jogada, interpretado por Til Schweiger (“Bastardos Inglórios”), este querendo se vingar da dupla de espiões por prejudicá-lo no passado.


“Guerra é Guerra” (This Means War), é uma comédia romântica muito agradável com ação razoável (você entenderá a razão a seguir). Tudo é válido na disputa pelo coração da gata, levando em consideração os recursos avançados disponíveis que a CIA oferece para as investidas dos agentes. A guerra está declarada e a batalha irá gerar grandes proporções. Lauren não faz ideia da disputa pelo seu amor.


O diretor McG (de “As Panteras” e “Exterminador do Futuro: A Salvação”) ao produzir o filme, fez uma menção ao agente secreto mais famoso do cinema, James Bond, e especulou a possibilidade dele trabalhar com Ethan Hunt, o famoso protagonista de “Missão Impossível”. Em seu exercício mental, McG acha que ambos teriam respeito um pelo outro, mas numa situação como esta, não cederiam de jeito algum: - “ao afinal das contas, cada um apostaria em si próprio. E isso é um ótimo argumento para um filme.” – diz ele. McG contou com a presença de Will Smith, não como ator, mas como produtor.


Apesar do bom roteiro feito pelo trio Timothy Dowling, Simon Kinberg e Marcus Gautesen, creio que o diretor não soube distribuir harmonicamente ação com as situações engraçadas que ali se fizeram. Diria que 70% da película é focada nas situações embaraçosas proporcionadas pelo triângulo amoroso, comédia de fato, e os outros 30% de ação mais intensa de um tanto para o final. A sinergia foi fraca neste sentido. Outros filmes de gênero semelhante como “Par Perfeito” de Robert Luketic e “Encontro Explosivo” de James Mangold, souberam, ao menos, harmonizar e promover as sinergias de melhor forma.


Apesar dos clichês e das situações curiosíssimas e surpreendentes, como diria minha irmã, é um filme “fofo” que serve de inspiração para os apaixonados, pois, acima de tudo, os agentes procuram entender os gostos da amada (o que é ótimo!) e assim impressioná-la para conquistar seu coração. À medida que a disputa vai ficando mais acirrada, o filme fica cada vez mais louco, tornando a trama atraente de forma a prender os expectadores, aguçando a curiosidade para saber com quem ela ficará.


O filme tem bons efeitos especiais, tanto que, numa cena em especial, uma perseguição, fiz alusão ao filme “Velozes e Furiosos 5”, sobre um carro rodopiando. Quem conferiu Velozes e for ver no cinema irá lembrar. A trilha produzida por Christophe Beck é muito interessante, pois se trata de música eletrônica (da melhor qualidade) que chega a ser incisiva nos momentos de grande perigo que andou rondando este longa.

É um filme divertido e que me arrancou algumas risadas (sou meio difícil de rir). Creio ser uma ótima diversão sem sombra de dúvida. O filme estará em cartaz a partir de 16 de março nos cinemas.

Dou nota 8,5




Publicação Agência Zapp News

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Tão Forte e Tão Perto: Dramático mas envolvente

Com personagens geniais em situações extremas o diretor Stephen Daldry adota uma narrativa interessante, dramática e de estilo investigativo

Por Jorge Nunes Chagas


O filme é baseado no aclamado livro romancista “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto”, um best-seller de Jonathan Safran Foer que, adaptado para o cinema, passou a se chamar “Tão Forte e Tão Perto” (Extremely Loud and Incredibly Close), que reuniu um elenco experiente e contou com um inspiradíssimo ator.

O ator em questão é o estreante Thomas Horn, de 14 anos, e que parece não ter sentido o peso de sua estreia nas telonas. O filme anuncia como atores principais os premiados Tom Hanks (Larry Crownie) e Sandra Bullock (Um Sonho Distante), porém o brilhantismo de Horn fez dele “O” protagonista, como deveria ser, carregando o filme literalmente fazendo da dupla acima citada mera coadjuvante.

O “pano de fundo” deste longa-metragem são os atentados terroristas de 11 de setembro, ocorridos em 2001 nos Estados Unidos, que serviu como base para a história de Oskar Schell, um menino de 11 anos dotado de inteligência, visão científica e habilidades excepcionais para sua idade, porém atormentado pela morte de seu pai, morto em uma das torres gêmeas do World Trade Center. Após a morte do pai, o menino encontra uma chave misteriosa nos pertences dele. Oskar, então, decide partir numa jornada em busca da fechadura certa e de seu significado, que mudará sua vida e a vida de muitos outros que encontrará pelo caminho.


Mas não é tão simples assim, pois Oskar sofre com a Síndrome de Asperger que gera certas “fobias” a algumas situações, sendo uma delas o medo da movimentação de uma cidade grande. Para prosseguir com sua busca, é necessário vencer todos essas fobias e medos. A lembrança de seu pai Thomas Shell (Tom Hanks), um antigo joalheiro, lhe ocorre a todo o momento dando mais dramaticidade à sua jornada, um tanto antagônica e teoricamente impossível. Pai este que sempre lhe estimulou, mas que agia com um tom misterioso para responder questões simples, despertando o interesse do menino em interpretar a mensagem deixada por seu pai na sua imaginação numa lúdica aventura. A mãe, interpretada por Sandra Bullock, de forma sutil, acaba tendo uma participação fundamental.

O diretor  Stephen Daldry, Thomas Horn e Max Von Sydow
O diretor Stephen Daldry (“As Horas”, “O Leitor” e “Billy Elliot”), procurou explorar situações limites com personagens geniais. Além do menino super-inteligente, o diretor Daldry introduziu na trama a participação de um senhor mudo na pele do veterano ator Max Von Sydow, da foto acima (Robin Hood – 2010), numa atuação antológica, fato este que o credencia a concorrer ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 2012. Este simpático e ao mesmo tempo misterioso Senhor, decide ajudar Oskar a visitar as cerca de 470 pessoas espalhadas pelos quatro estados de Nova York. Para entender como o menino chegou a este número e seu envolvimento com o Sr. mudo, o expectador precisará ver o filme, pois não vou contá-lo, é claro.

O elenco ainda conta com Viola Davis (que concorre ao Oscar por “Histórias Cruzadas”), John Goodman (“O Artista”), Jeffrey Wright (“Tudo pelo Poder”) e James Galdolfini (“O Sequestro do Metrô 1 2 3”). A fotografia de Chris Menges e a trilha composta por Alexandre Desplat também são destaque. Confesso que o filme foi um tanto cansativo, devido a sua duração (129 minutos) e apelativo em alguns momentos, mas me emocionei pela busca de um sentido na vida do garoto e as situações vividas pelo mesmo.

“Tão Forte e Tão Perto” tem na sua composição atitudes nobres, mas ao mesmo tempo duras e fatídicas, humildes, mas intelectualmente obsessivas. O filme tenta refletir não só as coisas complexas, mas também as mais simples da vida, em meio à bipolaridade que o garoto apresentou. O expectador deve se emocionar, num misto de tristeza e alegria, que faz bem pra nossa alma de vez em quando. O filme estreia no dia 24 de fevereiro de 2012 nos cinemas e é do tipo que, ao terminar, balançamos com a cabeça num tom afirmativo e dizemos: “É...”.

Dou nota 8,0.


Publicação Agência Zapp News

Anjos da Noite 4 – O Despertar: Beleza x Ação e 3D medianos


4° filme da sequência traz de volta a bela Kate Beckinsale, porém só beleza não basta

Por Jorge Nunes Chagas

Ao assistir este longa-metragem, além de ter feito uma rápida pesquisa, me deparei com inúmeras lembranças, tanto que o filme em si parecia, a meu ver, não ter identidade. Serei mais claro nas próximas linhas.

No primeiro filme da série “Anjos da Noite” (“Underworld”), a batalha milenar entre vampiros e lobisomens se sucedia à espreita dos humanos. O doutor Michael Corvin (Scott Speedman), um humano até ai, teve um romance com a vampira Selene (Kate Beckinsale), que decide então protegê-lo. No entanto, Michael foi mordido pelo líder dos Lycans (denominação para o clã dos lobisomens) e se tornou “híbrido”. Desde então virou a caça deles (dos lobisomens) para um experimento ambicioso, com a finalidade de criar uma nova espécie, uma raça combinando os poderes dos sanguessugas e dos lobisomens*.

Em “Anjos da Noite 4 – O Despertar” (“Underworld Awakening”), que não tem muito a ver com seu terceiro filme, entendo se tratar de uma continuação direta do 1° da saga. Na recém quadrilogia, a figura da vampira Selene volta a ser interpretada pela atriz Kate Beckinsale, que não havia participado do 3° filme. Acordada de um coma profundo depois de 12 anos, Selene descobre ter uma filha, a híbrida Eve, interpretada pela jovem atriz India Eisley, de apenas 18 anos. Eve é uma cobaia de um experimento secreto dos laboratórios Antigen, o que citei no parágrafo anterior*, que combina as duas raças, além de ser filha do médico Michael Corvin.


Selene junta forças com David (Theo James), do clã dos vampiros, e com o dedicado detetive Sebastian (Michael Ealy), em busca de Eve para resgatá-la, não só para impedir os tais experimentos, mas também para protegê-la dos perigosos lycans, que desta vez parecem estar em maior número.

Pois bem, foi inevitável a lembrança da atriz Milla Jovovich com seu Resident Evil (2002), que foi lançado um ano antes do primeiro Anjos da Noite (“Underworld” - 2003). A fórmula é a mesma, porém a diferença, portanto, é que a personagem de Resident Evil combate zumbis, enquanto a vampira em questão combate lobisomens, desta vez, geneticamente alterados.

Um concorrente de Blade (1998)? Talvez, mas a vantagem está na beleza de Beckinsale, uma mistura de Mulher-gato com Buffy às avessas e Neo, personagem principal do clássico Matrix (1999). Pra ser sincero, foi como se assistisse a um Matrix clonado. Digo isso por sua vestimenta ser similar a de Neo, até no sobretudo. Chega a ser irônico o fato de Beckinsale ter trabalhado em “Van Helsing – O caçador de Monstros” (2004), outro filme de gênero similar feito um ano depois numa demonstração por sua aspiração ao tema.

Minha argumentação inicial sobre a falta de identidade vem dai, mesmo que “Anjos da Noite” se trate de uma série, um game. O visual é gótico, com armazéns abandonados, vidros se estilhaçando à vontade e muito sangue. A fotografia e o figurino são interessantes, mas é pouco. O roteiro de John Hlavin é tão simples que os diretores Jörn Stein e Måns Mårlind são obrigados a investir pesado na ação e nos recursos 3D da batalha entre vampiros e lobisomens.

Conclusão: Como a tecnologia 3D nessa película deixou a desejar, para quem tiver interesse de assistir um filme com muita ação e pouco raciocínio, a fórmula de Anjos da Noite 4 deve agradar, sendo válida para diversão adulta por mesclar ação com terror, entretanto, para quem gosta de uma trama e ação mais elaborada, ouso em dizer que podem se decepcionar. O filme estreará dia 02 de março de 2012.

Dou nota 6,8.





Publicação Agência Zapp News

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Drive: Um herói, porém vingador


Ryan Gosling numa atuação primorosa vive um piloto que reflete o espírito heroico dos americanos

Por Jorge Nunes Chagas

A primeira coisa que me chamou muita atenção ao assistir este filme foi sua trilha sonora. Descobri se tratar de músicas instrumentais compostas por Cliff Martinez, que já compôs para “Sexo, metiras e Videotape”. Todas, em sua maioria, são músicas eletrônicas da melhor qualidade. Destaque para “Hero Um Real” (Um verdadeiro herói) e é justamente este o significado que o filme em questão quer passar, a figura de um herói.

O canadense Ryan Gosling é, seguramente, um dos melhores atores de nossa geração e pude comprovar seu brilhantismo entendendo bem a razão dele ser um aspirante a Oscar em tudo o que faz. Em “Drive”, Gosling vive um piloto dublê que executa manobras radicais em hollywood, além de ser mecânico, mas não para por ai. Ele atua clandestinamente como um “chofer do crime” efetuando a fuga de contrabandistas com seu carro.

O jovem piloto é de falar pouco, calado, não demonstra sentimentos e é um tanto frio, nos fazendo refletir sobre o próprio papel de Gosling, porém isso, de fato, não é um fator que diminua sua bela atuação, muito pelo contrário. Chega a ser bastante representativo seu papel. O driver é um cara de ação, que faz o que precisa ser feito, portanto um personagem do tipo “fale menos e execute mais”, é bem por ai.


A vida solteira e pacata do jovem mecânico muda quando ele conhece uma vizinha que balançou seu coração, a jovem Irene (Carey Mulligan), uma mãe que precisou criar sozinha uma criança sem a presença do pai, então preso. Ao sair da cadeia, seu marido, o bandido Standard (Oscar Isaac), precisa efetuar um assalto para quitar uma antiga dívida com bandidos e o nosso piloto decide ajudá-lo na empreitada (e consequentemente ajudá-la também). Tal atitude não poderia acabar bem, mas apesar do grande problema que ele foi arrumar, sua imagem como herói americano consegue estar ali, seja para defender o mal (bandidos) e o bem (sua amiga Irene).

Com visual estético inquietante, ótima trilha e fotografia, este longa “ala Tarantino” (assistindo irão entender melhor) pensa, fundamentalmente, em trabalhar as relações complicadas dos seres humanos e o peso de suas decisões.

O diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn, premiado no Festival de Cannes de 2011, como Melhor Diretor, pela obra em questão, além de ter feito tomadas com enquadramentos diferentes com Gosling, trabalhou muito com a questão do silêncio. Diria que, cenas das quais não são mencionadas sequer uma só palavra, na qual ficamos hipnotizados pelas inúmeras trocas de olhares, seja do piloto esperando o regresso de assaltantes, ou com sua vizinha, são momentos de grande clímax. Algumas cenas me surpreenderam mesmo que, previamente, eu esperasse por este ou aquele desfecho.

Este longa-metragem contou com a bela atriz Christina Hendricks (da série Mad Men, HBO), com Bryan Cranston (Larry Crowne) interpretando o tutor do piloto, e com os atores Ron Perlman (eternizado no papel de Hellboy) e Albert Brooks (Os Simpsons – o filme) ambos na pele de mafiosos que tiveram uma excelente contribuição, mesmo como coadjuvantes.

A ação contida na película aliada à atuação antológica de Gosling são motivos para fazer o público ir ao cinema conferir esta boa produção. O filme estreia no dia 02 de março de 2012.


Dou nota 7,5

Drive - Trailer Legendado:



Publicação Agência Zapp News

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Artista: Uma homenagem à história do cinema


Com irreverência, o filme retrata a memória do cinema mudo e é todo em preto e branco

Por Jorge Nunes

É preciso estar minimamente informado e psicologicamente preparado para ver o filme em questão, pois um desavisado ao ver sua seção, no mínimo irá estranhar por se tratar de um filme todo em preto em branco, no qual não é proferida uma só palavra, levando em consideração o atual período em que vivemos, onde a comunicação se faz fundamental. Pois bem, “O Artista” (TheArtist) se trata de uma obra metalinguística feita para sentir as emoções expressadas, seja pelos personagens, pela música, pelos sapateados e até mesmo pelo silêncio. As diversas situações que ali ocorrem, na minha visão, são de fácil compreensão para o público, apesar de ser um filme mudo.

O longa-metragem dirigido pelo diretor francês Michel Hazanavicius, produzido numa conexão França, Estados Unidos e Bélgica, é uma oportuna homenagem ao cinema Hollywoodiano, nos contando sobre um importante período, entre 1927 e 1932, de transição do cinema mudo para o cinema falado.

A trama concerne em volta de seu protagonista, o galã GeorgeValentin (interpretado pelo brilhante ator francês Jean Dujardin), um astro do cinema mudo que, além de interpretar, sabe dançar muito bem. Amado pelos paparazzis e com manchetes a toda hora na mídia, Valentin conhece de forma despretensiosa, numa espécie de coletiva, a aspirante à atriz e dançarina Peppy Miller (Bérénice Bejo, atriz franco-argentina e esposa do diretor do filme). A relação entre os dois fará toda a diferença no decorrer da película.


Com a chegada do cinema falado, Valentim com seu orgulho mostra ignorância e resiste em largar o cinema mudo. É ai que a estrela de Peppy começa a brilhar. Com seu carisma e talento, a bela jovem encanta a todas e se torna a atriz mais solicitada do momento. O galã é esquecido e cai na decadência, porém a paixão que um sente pelo outro fará com que seus caminhos se cruzem numa atuação de gala do casal, alimentando esta romântica, divertida e ao mesmo tempo dramática obra.

O filme conta com um elenco de apoio bastante familiar de Hollywood.Refiro-me aos atores John Goodman (eternizado pelo papel de Fred Flinston em “Os Flinstones”), Penelope Ann Miller (“O Primeiro Amor”) e James Cromwell (“Secretariat - Uma História Impossível”).


A trilha feita por Ludovic Bource conduz de forma brilhante a narrativa, dando as nuances necessárias às diversas situações ali retratadas. Outro ponto que quero destacar é o fiel companheiro de Valentin, o simpático cão terrier Uggie, que na minha ousada opinião, devia levar um Oscar de Melhor Ator coadjuvante (com todo o respeito aos demais concorrentes da categoria). Digo isso, pois a imagem expressada pelo cachorrinho por gestos e principalmente pelo olhar, até em momentos de alta dramaticidade, foi de uma proeza sem precedentes, sendo assim impossível de não se emocionar, fruto,certamente, de muito treinamento.  "Também concordo, caro amigo Jorge, o cão rouba a cena, literalmente, uma das mais brilhantes atuações de animais que eu já vi em todos os tempos", Graça Paes.

Para quem nunca sequer viu um filme mudo (ou até em preto e branco) na vida terá excelentes motivos para conferir. “O Artista” já é vencedor de 3 Globos de Ouro (Melhor Filme, Ator e Música Original) considerado pelos críticos como um prelúdio para o Oscar. Falando nisso, o longa do francês Hazanavicius está indicado a 11 Oscars, incluindo os de Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Diretor. A premiação do Oscar vai ser realizada, dia  26 de Fevereiro, e também terá transmissão pela Tv aberta.
O filme também tem 12 indicações para o BAFTA, equivalente britânico do Oscar, além de ter ganho o prêmio como Melhor Filme pelo Critics’ choice Awards. OAtor Jean Dujardin, e ter conquistado o Globo de Ouro como Melhor Ator. Ainda faturou na mesma categoria, o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes e também pela Liga dos Atores (Screen Actors Guild Awards).

Segundo minha querida amiga Nayara Silva em seu facebook, é um filme de humor suave, interessante para o expectador que já viu filmes de Charles Chaplin e Jerry Lewis, ou séries como “Jeannie é um Gênio”, “A feiticeira” e até mesmo “Chaves”. Estas referências citadas se misturam nesta grande homenagem a história cinematográfica.

Quem conferir se encantará com certeza.  Dou nota 8,5

Eu, Graça Paes, dou nota 9,5, só não leva o 10, porque algumas cenas, poucas, são monótonas. Confesso, merece o Oscar

Publicação Agência Zapp News





quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A Fonte das Mulheres: Um grito de democracia em nome do amor

O diretor Radu Mihaileanu mostra sensibilidade em uma obra baseada em fatos reais

Por Jorge Nunes Chagas



O longa “A Fonte das Mulheres” (La Source des Femmes) é feito por atores marroquinos e franceses, alguns de origem argelina, que abraçaram a cultura mulçumana se apropriando do Islã (religião estabelecida entre os árabes) e do Alcorão (escritura dos seguidores do Islã, como a Bíblia, adorando a Alá, palavra árabe que significa Deus) como base para as filmagens. A característica multicultural começa daí, onde todos os envolvidos gravaram a fita em árabe, com a intenção de fazer a história ser fidedigna aos ideais mulçumanos, fruto de um intenso trabalho de pesquisa.

O ambiente me lembrou do sucesso “Quem Quer Ser um Milionário”, filme britânico rodado na Índia dirigido por Danny Boyle e ganhador de 8 Oscars. Digo isto devido às semelhanças apresentadas por alguns personagens, no que diz respeito a características e trejeitos, além, é claro, da cultura. O filme já é bem encaminhado por ter sido um dos indicados à Palma de Ouro do Festival de Cannes 2011 e quero destrinchar isso a seguir.


Baseado em uma história real, seu cenário é o interior de uma pequena aldeia tradicional localizada entre o Norte da África e o Oriente Médio. Lá, as mulheres tinham que buscar água no topo de uma montanha nas proximidades todos os dias e tinham de voltar com baldes pesados, machucando seus ombros. Na ocasião, em meio ao serviço pesado, havia uma grávida, fato este que não poderia acabar bem. Não deu outra. A morte de um bebê ainda no ventre foi o estopim para que a jovem Leila (Leila Bekhti) indignada com tal condição de subserviência puramente machista, mobilizasse as suas amigas para um caminho sem volta, encabeçando uma greve de amor, alegando ser este o único poder sobre os homens, que só terminaria quando os mesmos concordassem em buscar água para a aldeia no lugar delas.

Esta é uma missão nada fácil que contou com o apoio da melhor amiga Esmeralda (Hafsia Herzi) e a grande contribuição de “Mother Rifle” (Biyouna), traduzida para o filme como a “Velho Fuzil” (isso mesmo, não é “Velha Fuzil”), que se trata de uma viúva experiente que se tornou decisiva para o aliciamento de suas companheiras em favor da greve de amor. Uma espécie de “juíza da paz” como diz o próprio diretor judaico-francês.

Os homens recebem a notícia com ironia, mas elas permanecem firmes em seu propósito. Reações violentas começam a surgir: brigas, perdas entre as amigas, divergências internas entre as famílias provocando divisões de opiniões, revoltas para todos os lados. Leila se encontra em uma encruzilhada. Sem apoio da família, porém protegida pelo amor de seu marido e professor Sami (Saleh Bakri) que aderiu a causa, ela busca forças para combater as constantes ameaças de repúdio. A palavra de ordem entre as mulheres é uma só: Resistir!

O diretor Radu Mihaileanu procurou explorar questões relacionais entre mulheres e homens, as crianças, pais, mães-de-lei, o amor, o trabalho, as festas, a música, etc. A figura sensata de Hussein (Mohamed Majd), pai de Sami, é introduzida com seu conservadorismo para dar conselhos e tentar conduzir as decisões do filho e de sua amada idealista.

As músicas típicas criadas de forma metafórica pelas mulheres condenavam as falhas masculinas, acusando-os de maus tratos. Com a boa trilha de Armand Amar, acompanhando as cenas de tensão, as mulheres, em sua maioria analfabetas, buscam se espelhar na figura de Leila, única mulher dentre as jovens da aldeia que sabia ler e que tem o poder para mudar através das palavras.

Questões políticas são levadas em consideração para a resolução dos problemas e estabelecer a democracia. Baseadas nos ensinamentos da doutrina islâmica, as militantes femininas afirmam que "o dever do ser humano é elevar-se através do conhecimento”, dito no Alcorão. Esta medida foi a base para abrir os olhos a fim de confrontar as leis do Islã, que tentavam deturpar os ensinamentos da aldeia. Por vezes me lembrou “O Nome da Rosa”, em que a Igreja na época omitia certos ensinamentos da bíblia a fim de manipular a população, lhes escondendo a verdade, a mesma verdade que lhes libertaria.

Um coadjuvante teve uma pontinha de influência neste processo, que provocou uma reviravolta no andamento da história e no coração de Leila. A pessoa em questão é o misterioso jornalista Soufiane (Malek Akhmiss), uma antiga paixão de Leila que vai até o vilarejo na esperança de se reaver com seu grande amor. Leila, Sami e o então Soufiane acabam arbitrariamente unidos pela causa.

O amor é fundamentalmente o combustível deste drama filosófico de cunho social que, inclusive, teve até momentos engraçados. É uma história dos tempos atuais, bonita, sensível e rica em situações que, de certa forma, nos fazem lembrar as revoluções recentes no mundo árabe. O deserto, a água e a seca que atinge aquela vila são o pano de fundo desta história e ao mesmo tempo uma metáfora. Nela, o diretor diz que há canções de tradição árabe em que o homem deve “água” a mulher, como se ela fosse uma flor a ser regada e bem cuidada, onde a negligência nos cuidados não será mais tolerada.

Distribuído pela Paris Filmes, o longa estreia sexta-feira, dia 20 de janeiro. 
 
Vale a pena conferir!

Dou nota 8,5.



Agência Zapp News

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes 2 - O Jogo das Sombras : Mais divertido e envolvente

O diretor Guy Ritchie se supera nesta nova trama que prende o expectador do início ao fim

Por Jorge Nunes Chagas/Ag.Zapp News


Antes de começar a escrever esta crítica, fiquei interessado nas versões anteriores do nosso inteligente e bem humorado investigador. Minha intenção ao assistir “A Vida Privada de Sherlock Holmes” de 1970, dirigida por BillyWilder, era aspirar seu mundo original, mais fiel à sua criação. O filme é glamouroso, extremamente culto no proferir das palavras, sem lutas, mas com muito raciocínio lógico e perspicácia para imergirmos nos pensamentos de Holmes, tudo com muito bom humor. Por alguns instantes cheguei a crer que estava diante de um filme político, mas as situações exigiam providências não condizentes a esta prematura e efêmera visão.

Ao terminar de vê-lo, lembrei imediatamente do universo do livro homônimo de Jô Soares “O Xangô de Baker Street” que conta com a participação de Holmes mantendo suas características. Como informação complementar, e até para quem não sabe, Baker Street se trata de uma Rua de Londres onde o famoso detetive inglês morava.

Em 2009, a franquia foi assumida e dirigida pelo diretor GuyRitchie (Rocknrolla). A criação de sir Arthur Conan Doyle (1859-1930) precisou sereinventar não só pela modernização na produção cinematográfica, mas também pelos gostos da atual geração. “Um novo detetive para um novo público” como diz acrítica de Érico Borgo do site Omelete.

Neste ano de 2012, no filme em questão, Sherlock Holmes está de volta com uma missão bem mais difícil: deter uma mente tão formidável como a dele, mas esta para o mal. Refiro-me ao professor James Moriarty, grande arqui-inimigode Holmes interpretado muito bem por Jared Harris (Mad Men). O ator, em entrevista ao Jornal O Globo, se mostrou preocupado com sua atuação como o vilão Moriarty para o público mais aficionado pelas histórias do detetive. Numa rápida pesquisa e pelo que disse acima sobre a modernização dos gostos, setrata de uma preocupação tola e ouso em dizer que nem fará diferença.

Holmes e seu fiel parceiro Dr. Watson investigam vários acontecimentos que, juntos, estão entrelaçados para provocar a primeira guerra mundial. A dupla tenta ligar os pontos para evitar uma catástrofe no ocidente, numa trama que os leva para a França, Alemanha e, finalmente, Suíça. Interpretados novamente por Robert Downey Jr. e Jude Law, ambos estão mais maduros e mais entrosados do que antes, com diálogos rápidos e fazendo consequentemente nosso cérebro trabalhar mais.

Seu faro de investigação e sentidos está mais aguçado do que nunca. Holmes faz inúmeros exercícios de prevenção de movimentos dos adversários, assim como no filme anterior, com o adendo de estar amplificado graças às maravilhas da tecnologia 3D.

Notei uma clara evolução em todos os sentidos neste longa emrelação ao anterior. O diretor Guy Ritchie preocupado em contar uma história defácil compreensão, utilizou-se de um didatismo um tanto previsível, mas eficiente. O filme é recheado de efeitos especiais, usando e abusando datecnologia 3D em várias tomadas. As cenas de perseguição na floresta em altíssima velocidade me chamaram muita à atenção.

Todos estes elementos reunidos na telona credenciam a película em uma grande aventura, bem divertida e com muita, muita ação! Particularmente acho imperdível, fazendo valer cada centavo do seu ingresso.  Daria nota 9,0.

Espero que tenham gostado de minha crítica e Have a good fun!


Fotos de Divulgação

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

As aventuras de Agamenon: uma boa comédia de verão

Das páginas de jornal para as telas, Marcelo Adnet e Hubert desmistificam o misterioso repórter

Marcelo Adnet e Victor Lopes na première carioca (foto: Graça Paes)

Por Jorge Nunes Chagas

Este é o primeiro longa-metragem (nem tão longo assim, por ter 74 minutos de duração), que assisto do diretor Victor Lopes. Fato este, que coincidiu, por ser este seu primeiro filme de ficção.O qu não o  descredencia, pois Victor veio de três documentários, um deles até premiado "Língua – Vidas em português". Enfim, tive boas impressões, em um trabalho que se mostrou minucioso por aliar efeitos especiais na edição de suas filmagens introduzindo o atrapalhado repórter em fatos históricos (dos anos 70 aos atuais) nos quais possibilitaram a façanha que é o filme.

Narrado por Fernanda Montenegro, "As Aventuras de Agamenon – O repórter" é basicamente, a história de amor de Agamenon Mendes Pedreira e e sua provocante companheira Isaura, brilhantemente interpretada por Luana Piovani, que sobrevive às inesperadas viagens jornalísticas do protagonista, pelo mundo afora, em busca da notícias e de sucesso.

Os atores Marcelo Adnet e Hubert interpretam respectivamente Agamenon, na fase mais jovem e também na fase atual. O personagem fictício que está presente numa coluna dominical há 20 anos nas páginas do Jornal “O Globo”. 

Adnet, atualmente é um dos gênios da comédia brasileira. Ele incorporou o “jeito casseta de ser” pela atuação despojada e eminente nas situações baseadas em fatos reais, característica presente no humor feito pelos atores do grupo "Casseta".  Ambos que intrepretam o Agamenon, adotaram em suas interpretações cacoetes dê expressão, ou seja, “tiques nervosos” como fator de identificação do personagem. Usando e abusando de diálogos de duplo sentido e alguns clichês, a dupla deu tons de “quebra gelo” nas várias situações relevantes da história mundial vivenciadas pelo repórter em suas viagens.




Victor Lopes, Hubert, Adnet e Madureira   (Foto: Graça Paes)

As inúmeras participações de peso no filme como de Pedro Bial e Ruy Castro, ambos interpretando a si próprios, além dos depoimentos do cantor Caetano Veloso, do ex-presidente e colunista do Globo Fernando Henrique Cardose e do escritor e mago Paulo Coelh,o entre outros, deram um tom de seriedade a trama colocando o personagem num tapamar de importãncia, até mesmo para a própria história do país. 


Duas participações me chamaram muita atenção: Uma foi a de Ruy Castro, já citado aqui, e no filme em vários momentos, sempre num tom sério, fazendo suas ponderações e correções sobre os fatos anteriormente apurados por Agamenon. A outra é de Róbson Nunes, ator da nova geração, numa breve aparição vivendo o papel de Ronaldo Fenômeno, relembrando o episódio do craque e seu encontro com transexuais, numa ótima paródia.


Sacaneando desde Sygmunt Freud a Adolf Hitler (e sendo sacaneado também), com participação em eventos como o náufrago do navio Titanic e os ataques terroristas de 11 de setembro, Agamenon, Isaura e o “persona proctologista” Dr. Jacintho Leite Aquino Rêgo, interpretado por Marcelo Madureira, me proporcionaram juntos momentos discretos de riso.


A exceção, portanto, foi da dança do “funk dos aliados”, ponto alto da película, além da boa sacada do falso enterro de Agamenon e um acontecimento inusitado no cemitério feito com ajuda de um traficante local.

A construção da narrativa do filme envolvendo fatos históricos é bem interessante, mas creio que não ficou maçante. Situações sérias como a demolição do muro de Berlim e os acontecimentos no Afeganistão foram subvertidas para fazer piada, aliada a inúmeras situações inusitadas típica do público admirador dos cassetas. No geral, acho um bom filme e válido para divertir as férias de verão (previsto para o dia 06 de janeiro de 2012), com boas tiradas e garantia de gargalhada para o público expectador em geral.