Mostrando postagens com marcador Ag. Zapp News. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ag. Zapp News. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Crítica do filme: “Velozes e Furiosos 10”

Por Graça Paes, RJ

O longa “Velozes e Furiosos 10”de Louis Leterrier, com roteiro de Justin Lin e Dan Mazeau, produzido por Vin Diesel, Justin Lin, Samantha Vincent, Jeff Kirschenbaum e Neal H. Moritz, estreia nos cinemas brasileiros em 18 de maio de 2023.

A saga Velozes e Furiosos (The Fast and the Furious) começou em 2001. E nestes 22 anos, os nove longas da franquia passaram por diversos países, incluindo o Brasil. A princípio, o décimo filme seria o penúltimo longa da franquia de ação, mas há rumores de que ele foi dividido em três partes, sendo esta a primeira parte. A segunda está prevista para ir as telonas em 2025. 

Velozes e Furiosos 10 marca a despedida definitiva do personagem Brian O'Conner, interpretado pelo ator Paul Walker, que faleceu em 2013. 

Desta vez, Dom Toretto e sua família irão enfrentar um dos adversários mais letais que já tiveram, e que emergiu das sombras do passado para destruir o mundo do nosso protagonista. Interpretado por Jason Momoa, o brasileiro Dante Reyes é irreverente, engraçado e totalmente estiloso. Ele é filho de Hernan Reyes, o mafioso que foi roubado pela gangue liderada por Toretto no quinto filme, (ambientado no Brasil), e que agora busca se vingar.  Em sua jornada, ele se torna obcecado por Dominic Toretto e seus amigos. E, literalmente será capaz de tudo para alcançar seu objetivo. 

Além do elenco já conhecido, como Diesel, Gibson, Rodriguez, Brewster e Kang, Velozes e Furiosos 10 também conta com nomes de peso, como Ludacris, ele, Jason Momoa, John Cena, Jason Statham, Brie Larson, Charlize Theron, Helen Mirren Rita Moreno, Alan Ritchson, Nathalie Emmanuel, entre outros.

O filme destaca bem Brian Marcos, o filho de Dominic Toretto (Vin Diesel), interpretado por Leo Abelo Perry, ator mirim de Doze é Demais e Black-ish. A maior parte das cenas com ele são hilárias. 

O longa tem narrativas fantásticas, muita ação, mas está envolto num universo um tanto quanto fantasioso, um pouco mais do que deveria ser, mas vale às 2h20 de duração. 

Velozes e Furiosos 10 nos leva a muitas reflexões, entre elas, a importância da família e das amizades. E o poder de uma vingança. 

O roteiro nos leva a vários países, e entre eles, a volta ao Brasil, à cidade maravilhosa, ao Rio de Janeiro, mas não espere uma cidade maravilhosa como você a conhece, pois pelo visto, a fantasia tomou conta do set e da montagem. Assim, como também ocorreu com outros países que compõem o enredo. São apenas pano de fundo. 

Se prepare, pois o 10º. filme da franquia lhe reserva grandes e emocionantes surpresas. Entre elas, a participação da cantora Ludmilla, no longa, como atriz, e também na trilha sonora, que aliás, é bem interessante. 

A soundtrack original de “Velozes e Furiosos 10” será disponibilizada por completo nas principais plataformas digitais na sexta-feira, dia (19/05). 

É o tipo de filme que você tem que prestar atenção em cada detalhe e deixar sua imaginação fluir. Vale ressaltar que as cenas finais são fundamentais para contextualização do longa. E, certamente para o desenrolar de sua continuação. 


Não é um dos mais tops da saga, mas é um bom filme. 


Ah! Aguarde! Tem cena pós-crédito!!!!


E, tudo indica que o próximo longa terá o retorno do personagem Hobbs, interpretado por Dwayne Johnson. 


Assista o trailer:

A Agência Zapp News já assistiu e nossa nota é 8.7. 




quinta-feira, 26 de maio de 2022

Crítica Do filme: “Top Gun: Maverick”

 Por Graça Paes, RJ 

Com direção de Joseph Kosinski, roteiro de Ehren Kruger, Eric Warren Singer e Christopher McQuarrie. Produzido por Tom Cruise, Jerry Bruckheimer, Christopher McQuarrie e David Ellison. E música de Lady Gaga, Hans Zimmer, Harold Faltermeyer, Lorne Balfe, “Top Gun: Maverick” chegou aos cinemas em maio de 2022 com inúmeras pré-estreias e a estreia oficial em 26 de maio. 


Na telona, após 30 anos de serviço como um dos principais aviadores da Marinha, Pete "Maverick" Mitchell retorna rompendo todos os limites como um piloto de testes pra lá de corajoso. 


Pete “Maverick” Mitchell (Tom Cruise)  coleciona muitas condecorações, medalhas e grande reconhecimento pela quantidade de aviões inimigos abatidos nos últimos 30 anos, mas apesar de todo o prestígio, sua carreira não decolou. 


Mitchell continua sendo o mesmo piloto rebelde dos anos 80, que não hesita em romper os limites e desafiar a morte. 


34 anos após o clássico “Top Gun: Ases Indomáveis”, Maverick precisará provar que o fator humano ainda é fundamental no mundo contemporâneo das guerras tecnológicas nesta nova aventura. 



Se prepare para assistir uma fotografia belíssima e cenas de ação de tirar o folego. O longa é muito bem dirigido e produzido e tem uma trilha sonora sensacional.


O astro e eterno galã Tom Cruise mostra que cada vez mais ele é capaz de surpreender em todos os sentidos, principalmente nas cenas sem o uso de dublês. 



A trama sem efeitos especiais, desta vez, tem apenas um leve toque de romance, mas nos faz refletir sobre desafios, hierarquia e a importância do ser humano.


O filme merece ser assistido em salas do tipo Imax para que você possa usufruir tudo que a obra pode lhe proporcionar. 


A Agência Zapp News já assistiu e nossa nota é 9.5!!!





quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Crítica do filme: “Coringa”

Por Graça Paes, RJ



Com direção de Todd Phillips, roteiro de Phillips e Scott Silver, trilha sonora de Hildur Guönadottir e fotografia Lawrence Sher, o surpreendente filme “O Coringa (Joker)”, vencedor do Leão de Ouro, na 76ª edição do Festival de Cinema de Veneza em 2019, estreia dia 3 de outubro nos cinemas. Tem 2h e 2 minutos de duração. 



O longa retrata a história do vilão de Gotham City. O inimigo do Batman. Mas, não faz nenhuma referência aos heróis da DC. É independente.  Você conhecerá a história do comediante falido Arthur Fleck que ao longo de sua jornada é desconsiderado pela sociedade, sofre ataques de pessoas violentas é discriminado e apresenta surtos psicóticos. Até se transformar no famoso Coringa.


Tecnicamente, o filme é bom. Todd acerta na direção e no roteiro, que preserva a história original dos quadrinhos num cenário atualizado e próprio e apresenta bons diálogos, além de retratar exclusão social, crise financeira, preconceito, insanidade, entre outros temas. A fotografia também está impecável assim como a trilha sonora. E, a maquiagem é extraordinária.  



O elenco é sensacional. Está, certamente, é uma das mais brilhantes atuações de Joaquin Phoenix, que interpreta um vilão que em nada se assemelha aos anteriores interpretados por Heath Ledger, Jack Nicholson e Jared Leto. Phoenix brilha em todas as cenas. O Coringa de Phoenix é violento mais ao mesmo tempo é engraçado, dramático, ousado e humanizado. 



Um ponto que não é muito forte no longa é a lentidão do primeiro ato, mas depois engrena. Se preparem. 



A classificação etária é de 16 anos, pois o filme tem cenas fortes de violência, e que podem vir a incomodar os mais sensíveis. Mas, ressalto que elas estão dentro do contexto da história do personagem. 



É um filme para ser degustado, ou seja, para ver com bastante atenção e cautela. E se possível assistir mais de uma vez. 

Confira o trailer:

A Agência Zapp News já assistiu e nossa nota é 9. 








segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

"Roma" é eleito Melhor Filme no BAFTA 2019



Por Graça Paes, RJ 



A 72.ª cerimônia do British Academy Film Awards, mais conhecida como BAFTA 2019, produzida pela British Academy of Film and Television Arts (BAFTA), foi realizada em 10 de fevereiro de 2019, no Royal Albert Hall, em Londres, para celebrar as melhores contribuições, britânicas e internacionais, à industria do cinema no ano de 2018. 





Confira a lista dos vencedores:

MELHOR FILME: "Roma"

MELHOR ESTREIA DE UM ROTEIRISTA, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO: "Beast"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: "A Favorita"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: "Infiltrado na Klan"

MELHOR FOTOGRAFIA: "Roma"

MELHOR FIGURINO: "A Favorita"

MELHOR SOM: "Bohemian Rhapsody"

MELHOR EDIÇÃO: "Vice"

MELHOR EFEITOS VISUAIS: "Pantera Negra"

MELHOR CURTA-METRAGEM BRITÂNICO: "73 Cows"

MELHOR ANIMAÇÃO EM CURTA-METRAGEM: "Roughhouse"

MELHOR DOCUMENTÁRIO: "Free Solo"

MELHOR ANIMAÇÃO : "Homem-Aranha: No Aranhaverso"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: "A Favorita"

MELHOR MAQUIAGEM: "A Favorita"

MELHOR TRILHA SONORA: "Nasce Uma Estrela"

MELHOR ATRIZ/ATOR EM ASCENSÃO: Letitia Wright


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Crítica do filme: “Uma Nova Chance”

Por Graça Paes, RJ


A comédia romântica dirigida por Peter Segal, com roteiro de Justin Zackham e da estreante Elaine Goldsmith-Thomas “Uma Nova Chance” estreia dia 31 de janeiro nos cinemas.


Na trama, JLo interpreta Maya, uma vendedora de uma loja de departamentos que tem a oportunidade de reinventar seu estilo de vida, ao se tornar, quase que "por acidente", uma alta executiva. Em meio a novos desafios, ela vai provar que o que se aprende na vida e nass ruas vale tanto quanto um diploma universitário.



“Uma NovaChance” é uma dessas histórias que abordam vários temas que deixam uma reflexão no ar, entre eles, idoneidade, ostentação, criatividade, empreendedorismo, sustentabilidade, talento, amizade, amor e família. 


É um filme bom tecnicamente e do tipo ideal para ser assistido a dois ou em família. 


Se prepare para dar boas risadas. 


No elenco, além de Jennifer Lopez estão Vanessa Hudgens, Milo Ventimiglia, Leah Remini e Treat Williams. 



A Agência Zapp News já assistiu e nossa nota é 8.7. 





segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Critics’ Choice Awards 2019: Confira a lista dos vencedores


Por Graça Paes, RJ 



Critics’ Choice Awards chega em sua 24ª edição e premia 42 categorias de TV e cinema. Os indicados e vencedores são escolhidos pelos críticos profissionais da indústria e esta premiação é considerada uma das mais importantes na previsão do Oscar.



A noite de domingo, dia 13 de janeiro de 2019, foi uma noite de surpresas e empates. Na categoria de Melhor Atriz em Série limitada dividiram o prêmio Amy Adams e Patricia Arquette e na categoria de Melhor Atriz de Filme Glenn Close e Lady Gaga também dividiram o prêmio. Christian Bale levou como melhor ator e também como melhor ator em filme de comédia por “Vice“.



Veja os vencedores:



CINEMA

MELHOR FILME
Roma, de Alfonson Cuaron

MELHOR ATOR
Christian Bale – Vice

MELHOR ATRIZ
Glenn Close – A Esposa
Lady Gaga – Nasce uma Estrela


MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali – Green Book – O Guia

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Regina King – Se a Rua Beale Falasse

MELHOR TALENTO JOVEM
Elsie Fisher – Eighth Grade

MELHOR ELENCO
A Favorita

MELHOR DIRETOR
Alfonso Cuarón – Roma

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Paul Schrader – First Reformed

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Barry Jenkins – Se a Rua Beale Falasse

MELHOR FOTOGRAFIA
Alfonso Cuarón – Roma

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Hannah Beachler, Jay Hart – Pantera Negra

MELHOR MONTAGEM
Tom Cross – O Primeiro Homem

MELHOR FIGURINO
Ruth Carter – Pantera Negra

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
Vice


MELHORES EFEITOS VISUAIS
Pantera Negra
MELHOR ANIMAÇÃO
Homem-Aranha no Aranhaverso


MELHOR FILME DE AÇÃO
Missão: Impossível – Efeito Fallout

MELHOR COMÉDIA
Podres de Ricos

MELHOR ATOR EM FILME DE COMÉDIA
Christian Bale – Vice


MELHOR ATRIZ EM FILME DE COMÉDIA
Olivia Colman – A Favorita

MELHOR FILME DE TERROR OU FICÇÃO CIENTÍFICA
Um Lugar Silencioso


MELHOR FILME DE LÍNGUA ESTRANGEIRA
Roma


MELHOR CANÇÃO
Shallow – Nasce uma Estrela

MELHOR TRILHA
Justin Hurwitz – O Primeiro Homem

TELEVISÃO

MELHOR SÉRIE DE DRAMA
The Americans


MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA
Matthew Rhys – The Americans

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA
Sandra Oh – Killing Eve


MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMA
Noah Emmerich – The Americans

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMA
Thandie Newton – Westworld

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
The Marvelous Mrs. Maisel


MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Bill Hader – Barry


MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Rachel Brosnahan – The Marvelous Mrs. Maisel

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Henry Winkler – Barry


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Alex Borstein – The Marvelous Mrs. Maisel


MELHOR SÉRIE LIMITADA
The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story

MELHOR TELEFILME
Jesus Christ Superstar Live in Concert


MELHOR ATOR EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Darren Criss – The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story


MELHOR ATRIZ EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Amy Adams – Sharp Objects
Patricia Arquette – Escape at Dannemora

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Ben Whishaw – A Very English Scandal


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Patricia Clarkson – Sharp Objects

MELHOR SÉRIE ANIMADA
BoJack Horseman







segunda-feira, 18 de junho de 2012

Apenas uma noite: a traição abordada de uma forma poética

O Drama Romântico num belo roteiro, aborda valores com um excelente elenco


Por Graça Paes


A iraniana Massy Tadjedin estreia com o pé direito na direção de uma bela história própria do drama romântico que aborda a traição de uma forma poética e carinhosa. O longa leva o expectador a refletir sobre diversos valores e a viajar na história que se passa em uma única noite, mas sendo esta decisiva na vida de quatro pessoas.


O forte quarteto dos protagonistas atraiu uma coprodução entre EUA e França: os ingleses Keira Knightley ("Um Método Perigoso") e Sam Worthington ("Avatar"), a norte-americana Eva Mendes ("Os Donos da Noite") e o francês Guillaume Canet. Em torno dos quatro, Massy arma uma trama sobre a tentação da traição e os eternos segredos dos grandes amores.



A história é baseada no casamento de Joanna (Keira Knightley) com o executivo Michael Reed (Sam Worthington). Eles são casados há quatro anos e namoraram desde a adolescência. O casal, que mora em Nova York, parece seguro quanto a relação, até que Joanna conhece Laura (Eva Mendes), uma sensual colega de trabalho do marido, e imagina que há alguma coisa acontecendo entre os dois. Como Michael e Laura viajam a trabalho no dia seguinte, a noite de sua véspera é de conflito, preocupação e pode vir a mudar a vida do casal.




Logo pela manhã, a própria Joanna acha que está exagerando e firma uma trégua com Michael. Depois que ele parte, ela vai tomar café na rua e esbarra com um antigo e complicado amor mal resolvido do passado, o francês Alex (Guillaume Canet), que entrou em sua história em um dos rompimentos dela com o atual marido, na época em que namoravam.


O jantar marcado para aquela noite leva Joanna a arrumar-se como nunca, despertando em si própria outras expectativas. Alex, o ex namorado, por sua vez, não atravessou de volta o Atlântico à toa. Ele está disposto a confrontar Joanna sobre o que deu errado para eles e vai fazer de tudo para retomar o romance.


O filme trabalha esse confronto: a de Michael por Laura e a de Joanna por Alex, procurando criar expectativas sobre se vai ou não haver traição, e em qual dos dois casos.


Um dos pontos altos do longa é o reencontro entre Keira Knightley e Guillaume Canet, cujos personagens são humanos, mais genuinamente balançados por emoções divididas, especialmente ela, que parece ter a certeza que irá ser traída pelo marido, em sua viagem de negócios.


Eva Mendes, apesar de linda, neste longa foge do estereótipo de apenas uma mulher sensual e latina, ela, que já é por si uma mulher exuberante, segura sua personagem com dignidade e mostra a sensualidade não apenas com o corpo, mas através de gestos e olhares.


Apesar de alguns deslizes na luz, o longa apresenta uma boa fotografia e mostra a Nova York dos cartões postais. Quanto ao roteiro é impecável.


Eu recomendo. Um excelente filme para parar, pensar e refletir até que ponto devemos ousar ou não em uma relação.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Xingu: Dicotomia de interesses em prol da região indígena

A obra de Cao Hamburguer baseada em uma história real traz à tona a heroica saga dos irmãos Villas Bôas




Por Jorge Nunes Chagas

“Estar em lugares que ninguém nunca esteve”. Esta frase dita no filme é fundamental para entender a intenção do diretor Cao Hamburguer ("O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", 2006) e dos jovens aventureiros retratados nesta aventura histórica do cinema nacional.

A história de Xingu tem seu início nos anos 40 e parte da iniciativa dos irmãos Villas Boas, que se alistam na Expedição Roncador-Xingu para juntos realizarem uma expedição rumo a novas descobertas pelo Brasil Central. Os desbravados jovens Cláudio (João Miguel - "Bonitinha Mas Ordinária", 2009), Leonardo (Caio Blat – “Bróder”, 2010) e Orlando Villas Bôas (Felipe Camargo – “Som e Fúria – O Filme”, 2009), partem para uma missão que, mais tarde, têm maior significância ao conhecer o povo indígena daquela região explorada.

Um dos primeiros aspectos do filme que me chamaram a atenção foi a fotografia de Adriano Goldman que, particularmente, me fez alusão ao lendário documentário “Cabra Marcado para Morrer” de Eduardo Coutinho. Mas não só isso. Os sucintos mistérios aliado ao sentimento de descobrir coisas é outro fator muito semelhante ao documentário dele. É como se, de certa forma, estivéssemos assistindo a um documentário do Discovery Channel.


Pois bem, através das águas do Rio Xingu, os irmãos Villas Bôas são levados a aldeias da tribo dos Kalapalos. O estranhamento e a interação entre brancos e indígenas são retratados com muita riqueza de detalhes, tornando a experiência do filme saborosa e fascinante devido às descobertas de nossos exploradores, fazendo de nós expectadores testemunhas oculares de luxo de seus feitos. Dois mundos diferentes que se encontram para atingir um só objetivo, cuidarem um do outro, pelo menos na teoria.



A história ganha outros contornos. Interesses políticos e militares surgem para distorcer a missão dos jovens irmãos num jogo de interesses e de poder. O que era, a princípio, para ser uma assistência dos brancos aos indígenas, torna-se um compromisso de maior seriedade devido ao alto envolvimento que tiveram a fim de preservar suas culturas. O caminho acaba ficando perigoso e sem volta, transformando para sempre a vida de todos os envolvidos.

O clima do filme, com cidadãos usando roupas sujas no corpo se contrasta com as belezas naturais, as belas índias, os riachos cristalinos e as belas florestas. As lutas e resistências sucedidas chegaram a um denominador comum, a construção do Parque Nacional do Xingu, um parque ecológico e reserva indígena que já foi considerado o maior do mundo. Unidos, estes fatores são de uma beleza simplista de emocionar. A trilha de Beto Villares, bem ao estilo “pantanal”, é um complemento a mais nesta película.


Este longa baseado em uma história real e com um viés de documentário, conta também com as participações de Maiarim Kaiabi (Prepori), Awakari Tumã Kaiabi (Pionim), Adana Kambeba (Kaiulu), Tapaié Waurá (Izaquiri), Totomai Yawalapiti (Guerreiro Kalapalo) e aparições especiais de Maria Flor (Marina), Augusto Madeira (Noel Nutels) além de Fabio Lago (Bamburra). Este último parece gostar de encarnar personagens do tipo “trabalhador em terras desconhecidas”, pois houve um personagem vivido por Fabio na minissérie “JK”, o Severino (o Gaúcho), que tinha características muito semelhantes.

Recomendo este filme não só pelos motivos explícitos acima, mas também por ser um importante capítulo da história brasileira. A obra conta com a produção de Fernando Meirelles (que dirigiu “Cidade de Deus” de 2002), Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlinck. Xingu estreia nesta sexta-feira, dia 06/04 somente nos cinemas.

Dou Nota 8,5


Publicação Agência Zapp News

quarta-feira, 21 de março de 2012

Heleno – O Príncipe Maldito: Impiedoso, porém inesquecível

Rodrigo Santoro traz à tona a história do problemático e genial craque Heleno de Freitas numa atuação de gala


Por Jorge Nunes Chagas

Intenso, charmoso, temperamental, estas são algumas das fortes atribuições de um célebre jogador de sua época que viveu como o brasão de seu clube, uma verdadeira estrela solitária, analogia esta que vocês irão entender nas linhas seguintes.

O filme em questão chama-se “Heleno - O Príncipe Maldito”, sobre o famoso e polêmico jogador do Botafogo Heleno de Freitas, interpretado de forma magistral pelo ator Rodrigo Santoro que, na minha modesta opinião, teve atuação digna de Oscar. A observação passa a ser compreensível a partir do momento que levamos em consideração o fato dele ter conquistado o Prêmio de Melhor Ator na 33ª edição do Festival de Cinema Latino-Americano de Havana, em Cuba, no ano de 2011.

A característica que une o ator com seu personagem é realmente a entrega, a busca pela excelência no que se propôs a fazer, tanto que Rodrigo Santoro precisou emagrecer 12 quilos para realizar cenas quando o jogador se encontrava em estado mais delicado, quando ficou louco no fim de sua vida.


A obra do diretor José Henrique Fonseca (“O Homem do Ano” - 2003) foi rodada em preto e branco (com direção de fotografia de Walter Carvalho) para relembrar e sentir a época dos anos 40, um período glamouroso que remete a era de ouro do cinema hollywoodiano e suas perspectivas (parece um prelúdio para “O Artista”, mas desta vez não é). O foco são as aventuras e desventuras do ídolo botafoguense desde o auge de sua carreira até a decadência, loucura e por fim internação num sanatório nos anos 50. O longa compreende todo este processo, do sucesso ao seu anonimato aos 39 anos, por conta da guerra, da sífilis e do desvio ao que estava inicialmente destinado. Por vezes, a forma expositiva do filme era através de flashes do passado compactuando com a vida atual apresentada em dado momento.


Heleno, vulgo “o príncipe do Rio”, tinha sua vida dentro de campo como uma pessoa ligada na tomada de 220 Volts a 200 km por hora, que não tolerava a mediocridade dos seus colegas de profissão e brigava com todo mundo, inclusive com os dirigentes. Já fora de campo, era o galã de vida glamourosa, frequentador de salões elegantes, portador de carros luxuosos e sempre acompanhado de lindas mulheres. Falando nelas, duas fizeram diferença em sua vida. São elas: Sílvia, a que veio a ser a esposa de Heleno interpretada pela atriz Alinne Moraes (“O Homem do Futuro” – 2011) e Diamantina, uma cantora de boate muito sedutora interpretada pela bela atriz colombiana Angie Cepeda ("Una hora más em Canarias" - 2010), como amante de Heleno. A relação entre as duas ascendeu à trama.


A obsessão de Heleno para jogar a Copa do Mundo de 50 o tornou um louco, uma estrela solitária em sua jornada. Para entender, peço a gentileza de assistirem ao filme! O drama em questão me fez alusão a diversas referências cinematográficas. Além de “Touro Indomável” de 1980, com um Robert De Niro perturbador, me lembrei até de Meryl Streep em “A Dama de Ferro”, pois sua atuação, assim como a de Rodrigo Santoro, foram “gigantescas” o bastante para ambos salvarem seus filmes.


Em “Heleno”, cheguei a vislumbrar tamanha mediocridade no que estava vendo a ponto de me perguntar por um momento: — “Porque estou vendo isto?” Pois bem, se junto os fatores e analiso à fio para julgar a vida do atleta, ela era de fato medíocre, mesmo com todo o sucesso que tinha na imprensa, mas lá no fundo, suas atitudes favoreceram demais para o seu declínio, como por exemplo a não convocação à Copa. Entretanto, por ele viver situações-limites quase todo o tempo, consegui perceber a grandiosidade do personagem vivido por Santoro. Heleno foi um dos precursores dos chamados “bad boys” do futebol contemporâneo. Se fosse um jogador que não tivesse nenhum tipo de diferencial, certamente não haveria motivos para ser retratado nas telonas.

A abordagem deste longa-metragem se difere, pois o foco não é exatamente o futebol, mas sim a vida desregrada de Heleno e a forma de lidar com o estrelato, tendo o esporte como seu pano de fundo, por se tratar de sua profissão. As cenas de Heleno no campo foram produzidas de maneira minimalista, apesar de o ator ter treinado os fundamentos futebolísticos para não ficar devendo. Sua determinação chegou a tal ponto que chegou a retirar grana do próprio bolso para ajudar a terminar o filme. Com muito esforço, a produção chegou a ter o apoio da EBX, do multibilionário Eike Batista para finalização dos trabalhos. O filme ficou orçado em 8,5 milhões.


Este filme provoca reflexões através de erros e acertos do jogador aliada a bela atuação de Santoro, a uma trilha de época consistente, com fotografia, cenas e até frases emblemáticas. É um bom drama, que já está dando o que falar. É bom ver o cinema brasileiro retratar coisas que fogem um pouco o perfil de filmes violentos como “Cidade de Deus” de Fernando Meirelles e “Tropa de Elite” de José Padilha, pois chego a conclusão que, mesmo os dois citados terem sido nossos representantes no Oscar, ambos não levaram prêmios, pois o melhor que o Brasil tem a oferecer não é a violência, e sim a cordialidade, o hibridismo de culturas de um povo lindo e sorridente apesar das adversidades.

Heleno tem sua pré-estreia na próxima sexta-feira, dia 23 de março, mas sua estreia será no próximo dia 30 de março de 2012, somente nos cinemas. Confere lá!

Dou Nota 8,0


Publicação Agência Zapp News

sexta-feira, 9 de março de 2012

Guerra é Guerra: comédia, mas com ação desproporcional

Ação de boa octanagem e muita ousadia marca este longa do diretor McG


Por Jorge Nunes Chagas

Você colocaria uma amizade de muitos anos a perder por conta de uma mulher? Esta pergunta, creio eu, é a grande premissa para o desenrolar da trama que pretendo discernir aqui.


O centro das atenções chama-se Lauren Scott, interpretada por Reese Witherspoon (vencedora do Oscar pelo papel vivido em “Johnny e June”). Lauren, uma avaliadora sênior de produtos e líder bem sucedida em sua empresa, é carente no amor. Então, ela, com a ajuda de sua melhor amiga Trish (Chelsea Handler - da série de TV “Are You There, Chelsea?”) decide procurar o homem ideal.


Até ai tudo bem, se não fosse o que mais tarde se tornaria um triângulo amoroso, e do mais perigoso possível. Os dois homens em questão se tratam de agentes secretos da CIA, dois amigos inseparáveis e espiões veteranos que, pelas circunstâncias da vida e o mais puro acaso, acabam disputando a mesma mulher. Lauren começa a ter um romance com Tuck (Tom Hardy – “A Origem”), um homem de família, tradicional, apesar da profissão perigosa. Já FDR Foster (Chris Pine – “Incontrolável”) é um daqueles típicos cafajestes que, aos poucos, vai amolecendo o coração. Trish acaba sendo importante por incentivar a amiga a manter uma relação com os dois “partidões”. Apesar do “loves in the air”, temos o bandidão Heirich na jogada, interpretado por Til Schweiger (“Bastardos Inglórios”), este querendo se vingar da dupla de espiões por prejudicá-lo no passado.


“Guerra é Guerra” (This Means War), é uma comédia romântica muito agradável com ação razoável (você entenderá a razão a seguir). Tudo é válido na disputa pelo coração da gata, levando em consideração os recursos avançados disponíveis que a CIA oferece para as investidas dos agentes. A guerra está declarada e a batalha irá gerar grandes proporções. Lauren não faz ideia da disputa pelo seu amor.


O diretor McG (de “As Panteras” e “Exterminador do Futuro: A Salvação”) ao produzir o filme, fez uma menção ao agente secreto mais famoso do cinema, James Bond, e especulou a possibilidade dele trabalhar com Ethan Hunt, o famoso protagonista de “Missão Impossível”. Em seu exercício mental, McG acha que ambos teriam respeito um pelo outro, mas numa situação como esta, não cederiam de jeito algum: - “ao afinal das contas, cada um apostaria em si próprio. E isso é um ótimo argumento para um filme.” – diz ele. McG contou com a presença de Will Smith, não como ator, mas como produtor.


Apesar do bom roteiro feito pelo trio Timothy Dowling, Simon Kinberg e Marcus Gautesen, creio que o diretor não soube distribuir harmonicamente ação com as situações engraçadas que ali se fizeram. Diria que 70% da película é focada nas situações embaraçosas proporcionadas pelo triângulo amoroso, comédia de fato, e os outros 30% de ação mais intensa de um tanto para o final. A sinergia foi fraca neste sentido. Outros filmes de gênero semelhante como “Par Perfeito” de Robert Luketic e “Encontro Explosivo” de James Mangold, souberam, ao menos, harmonizar e promover as sinergias de melhor forma.


Apesar dos clichês e das situações curiosíssimas e surpreendentes, como diria minha irmã, é um filme “fofo” que serve de inspiração para os apaixonados, pois, acima de tudo, os agentes procuram entender os gostos da amada (o que é ótimo!) e assim impressioná-la para conquistar seu coração. À medida que a disputa vai ficando mais acirrada, o filme fica cada vez mais louco, tornando a trama atraente de forma a prender os expectadores, aguçando a curiosidade para saber com quem ela ficará.


O filme tem bons efeitos especiais, tanto que, numa cena em especial, uma perseguição, fiz alusão ao filme “Velozes e Furiosos 5”, sobre um carro rodopiando. Quem conferiu Velozes e for ver no cinema irá lembrar. A trilha produzida por Christophe Beck é muito interessante, pois se trata de música eletrônica (da melhor qualidade) que chega a ser incisiva nos momentos de grande perigo que andou rondando este longa.

É um filme divertido e que me arrancou algumas risadas (sou meio difícil de rir). Creio ser uma ótima diversão sem sombra de dúvida. O filme estará em cartaz a partir de 16 de março nos cinemas.

Dou nota 8,5




Publicação Agência Zapp News

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Tão Forte e Tão Perto: Dramático mas envolvente

Com personagens geniais em situações extremas o diretor Stephen Daldry adota uma narrativa interessante, dramática e de estilo investigativo

Por Jorge Nunes Chagas


O filme é baseado no aclamado livro romancista “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto”, um best-seller de Jonathan Safran Foer que, adaptado para o cinema, passou a se chamar “Tão Forte e Tão Perto” (Extremely Loud and Incredibly Close), que reuniu um elenco experiente e contou com um inspiradíssimo ator.

O ator em questão é o estreante Thomas Horn, de 14 anos, e que parece não ter sentido o peso de sua estreia nas telonas. O filme anuncia como atores principais os premiados Tom Hanks (Larry Crownie) e Sandra Bullock (Um Sonho Distante), porém o brilhantismo de Horn fez dele “O” protagonista, como deveria ser, carregando o filme literalmente fazendo da dupla acima citada mera coadjuvante.

O “pano de fundo” deste longa-metragem são os atentados terroristas de 11 de setembro, ocorridos em 2001 nos Estados Unidos, que serviu como base para a história de Oskar Schell, um menino de 11 anos dotado de inteligência, visão científica e habilidades excepcionais para sua idade, porém atormentado pela morte de seu pai, morto em uma das torres gêmeas do World Trade Center. Após a morte do pai, o menino encontra uma chave misteriosa nos pertences dele. Oskar, então, decide partir numa jornada em busca da fechadura certa e de seu significado, que mudará sua vida e a vida de muitos outros que encontrará pelo caminho.


Mas não é tão simples assim, pois Oskar sofre com a Síndrome de Asperger que gera certas “fobias” a algumas situações, sendo uma delas o medo da movimentação de uma cidade grande. Para prosseguir com sua busca, é necessário vencer todos essas fobias e medos. A lembrança de seu pai Thomas Shell (Tom Hanks), um antigo joalheiro, lhe ocorre a todo o momento dando mais dramaticidade à sua jornada, um tanto antagônica e teoricamente impossível. Pai este que sempre lhe estimulou, mas que agia com um tom misterioso para responder questões simples, despertando o interesse do menino em interpretar a mensagem deixada por seu pai na sua imaginação numa lúdica aventura. A mãe, interpretada por Sandra Bullock, de forma sutil, acaba tendo uma participação fundamental.

O diretor  Stephen Daldry, Thomas Horn e Max Von Sydow
O diretor Stephen Daldry (“As Horas”, “O Leitor” e “Billy Elliot”), procurou explorar situações limites com personagens geniais. Além do menino super-inteligente, o diretor Daldry introduziu na trama a participação de um senhor mudo na pele do veterano ator Max Von Sydow, da foto acima (Robin Hood – 2010), numa atuação antológica, fato este que o credencia a concorrer ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 2012. Este simpático e ao mesmo tempo misterioso Senhor, decide ajudar Oskar a visitar as cerca de 470 pessoas espalhadas pelos quatro estados de Nova York. Para entender como o menino chegou a este número e seu envolvimento com o Sr. mudo, o expectador precisará ver o filme, pois não vou contá-lo, é claro.

O elenco ainda conta com Viola Davis (que concorre ao Oscar por “Histórias Cruzadas”), John Goodman (“O Artista”), Jeffrey Wright (“Tudo pelo Poder”) e James Galdolfini (“O Sequestro do Metrô 1 2 3”). A fotografia de Chris Menges e a trilha composta por Alexandre Desplat também são destaque. Confesso que o filme foi um tanto cansativo, devido a sua duração (129 minutos) e apelativo em alguns momentos, mas me emocionei pela busca de um sentido na vida do garoto e as situações vividas pelo mesmo.

“Tão Forte e Tão Perto” tem na sua composição atitudes nobres, mas ao mesmo tempo duras e fatídicas, humildes, mas intelectualmente obsessivas. O filme tenta refletir não só as coisas complexas, mas também as mais simples da vida, em meio à bipolaridade que o garoto apresentou. O expectador deve se emocionar, num misto de tristeza e alegria, que faz bem pra nossa alma de vez em quando. O filme estreia no dia 24 de fevereiro de 2012 nos cinemas e é do tipo que, ao terminar, balançamos com a cabeça num tom afirmativo e dizemos: “É...”.

Dou nota 8,0.


Publicação Agência Zapp News

Anjos da Noite 4 – O Despertar: Beleza x Ação e 3D medianos


4° filme da sequência traz de volta a bela Kate Beckinsale, porém só beleza não basta

Por Jorge Nunes Chagas

Ao assistir este longa-metragem, além de ter feito uma rápida pesquisa, me deparei com inúmeras lembranças, tanto que o filme em si parecia, a meu ver, não ter identidade. Serei mais claro nas próximas linhas.

No primeiro filme da série “Anjos da Noite” (“Underworld”), a batalha milenar entre vampiros e lobisomens se sucedia à espreita dos humanos. O doutor Michael Corvin (Scott Speedman), um humano até ai, teve um romance com a vampira Selene (Kate Beckinsale), que decide então protegê-lo. No entanto, Michael foi mordido pelo líder dos Lycans (denominação para o clã dos lobisomens) e se tornou “híbrido”. Desde então virou a caça deles (dos lobisomens) para um experimento ambicioso, com a finalidade de criar uma nova espécie, uma raça combinando os poderes dos sanguessugas e dos lobisomens*.

Em “Anjos da Noite 4 – O Despertar” (“Underworld Awakening”), que não tem muito a ver com seu terceiro filme, entendo se tratar de uma continuação direta do 1° da saga. Na recém quadrilogia, a figura da vampira Selene volta a ser interpretada pela atriz Kate Beckinsale, que não havia participado do 3° filme. Acordada de um coma profundo depois de 12 anos, Selene descobre ter uma filha, a híbrida Eve, interpretada pela jovem atriz India Eisley, de apenas 18 anos. Eve é uma cobaia de um experimento secreto dos laboratórios Antigen, o que citei no parágrafo anterior*, que combina as duas raças, além de ser filha do médico Michael Corvin.


Selene junta forças com David (Theo James), do clã dos vampiros, e com o dedicado detetive Sebastian (Michael Ealy), em busca de Eve para resgatá-la, não só para impedir os tais experimentos, mas também para protegê-la dos perigosos lycans, que desta vez parecem estar em maior número.

Pois bem, foi inevitável a lembrança da atriz Milla Jovovich com seu Resident Evil (2002), que foi lançado um ano antes do primeiro Anjos da Noite (“Underworld” - 2003). A fórmula é a mesma, porém a diferença, portanto, é que a personagem de Resident Evil combate zumbis, enquanto a vampira em questão combate lobisomens, desta vez, geneticamente alterados.

Um concorrente de Blade (1998)? Talvez, mas a vantagem está na beleza de Beckinsale, uma mistura de Mulher-gato com Buffy às avessas e Neo, personagem principal do clássico Matrix (1999). Pra ser sincero, foi como se assistisse a um Matrix clonado. Digo isso por sua vestimenta ser similar a de Neo, até no sobretudo. Chega a ser irônico o fato de Beckinsale ter trabalhado em “Van Helsing – O caçador de Monstros” (2004), outro filme de gênero similar feito um ano depois numa demonstração por sua aspiração ao tema.

Minha argumentação inicial sobre a falta de identidade vem dai, mesmo que “Anjos da Noite” se trate de uma série, um game. O visual é gótico, com armazéns abandonados, vidros se estilhaçando à vontade e muito sangue. A fotografia e o figurino são interessantes, mas é pouco. O roteiro de John Hlavin é tão simples que os diretores Jörn Stein e Måns Mårlind são obrigados a investir pesado na ação e nos recursos 3D da batalha entre vampiros e lobisomens.

Conclusão: Como a tecnologia 3D nessa película deixou a desejar, para quem tiver interesse de assistir um filme com muita ação e pouco raciocínio, a fórmula de Anjos da Noite 4 deve agradar, sendo válida para diversão adulta por mesclar ação com terror, entretanto, para quem gosta de uma trama e ação mais elaborada, ouso em dizer que podem se decepcionar. O filme estreará dia 02 de março de 2012.

Dou nota 6,8.





Publicação Agência Zapp News