Por Graça Paes, RJ
O filme "Dia D" aposta no mistério extraterrestre, mas se perde em um roteiro excessivamente complexo
Steven Spielberg retorna ao universo da ficção científica com "Dia D" (Disclosure Day), longa-metragem estrelado por Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth, Eve Hewson e Colman Domingo. O longa tem 2h25 de duração e estreia dia 11 de junho nos cinemas. O filme resgata um dos temas mais recorrentes da carreira do diretor: o fascínio pela vida extraterrestre e o impacto desse desconhecido sobre a humanidade.
A trama parte de uma premissa instigante: governos de todo o mundo revelam o maior segredo da história da civilização: a humanidade nunca esteve sozinha no universo. E, a divulgação de evidências sobre a existência de vida alienígena desencadeia uma crise global sem precedentes, marcada por pânico coletivo, conflitos diplomáticos e tentativas desesperadas de controlar a informação.
No centro da narrativa estão dois personagens fundamentais. Margaret Fairchild (Emily Blunt), uma apresentadora da previsão do tempo que passa por um episódio perturbador durante uma transmissão ao vivo ao entrar em transe e começar a se comunicar em dialetos alienígenas. E, Daniel Kellner (Josh O'Connor), especialista em segurança cibernética que possui documentos ultrassecretos que comprovam quase um século de contatos extraterrestres encobertos pelos governos. E que será perseguido por isso.
Enquanto os protagonistas tentam expor a verdade ao público, a poderosa organização Wardex trabalha para manter a situação sob controle. Seu líder, Noah Scanlon (Colin Firth), atua ao lado de Hugo Wakefield (Colman Domingo) na missão de impedir que o caos se torne irreversível.
Além do retorno de Spielberg ao gênero que ajudou a redefinir com clássicos como E.T. - O Extraterrestre, Jurassic Park e Tubarão, "Dia D" marca a 30ª colaboração entre o diretor e o lendário compositor John Williams. A trilha sonora, como esperado, ajuda a criar a atmosfera de suspense e grandiosidade que acompanha a narrativa.
Visualmente, o filme apresenta uma fotografia competente e momentos de impacto visual que reforçam o sentimento de inquietação diante do desconhecido. Spielberg também procura resgatar parte do encantamento e da curiosidade que marcaram suas obras sobre temas científicos.
No entanto, "Dia D" enfrenta dificuldades em seu principal elemento: o roteiro. A narrativa exige atenção constante do espectador, num filme que é longo, e que se desenvolve de forma lenta nos primeiros atos. Conforme a história avança, o ritmo melhora, mas a complexidade excessiva da trama acaba tornando alguns acontecimentos confusos. O desfecho permanece aberto a interpretações, possivelmente uma escolha deliberada do diretor, mas que pode frustrar quem espera respostas mais objetivas.
O grande destaque do longa é Emily Blunt. Em mais uma atuação consistente, a atriz entrega uma personagem intensa e convincente, sustentando boa parte da carga dramática da produção. Sua presença em cena é, sem dúvida, um dos pontos altos do filme.
"Dia D" é uma obra ambiciosa, diferente do convencional e repleta de questionamentos sobre verdade, poder e o lugar da humanidade no cosmos. Embora apresente qualidades técnicas e um elenco de peso, acaba prejudicado por um roteiro excessivamente intrincado e pasmes, por uma direção de Steven Spielberg, que em alguns momentos, não consegue transformar toda a complexidade da história em uma experiência plenamente envolvente.
É um filme visualmente interessante, impulsionado por uma grande atuação de Emily Blunt, mas que divide opiniões ao apostar em uma narrativa densa, por vezes confusa, e em um final que deixa mais perguntas do que respostas.
A Agência Zapp News já assistiu e nossa nota é 8.5.




