Executivos da Globo e Disney+ discutiram os desafios da produção audiovisual, comportamento do público e os caminhos para ampliar o alcance das produções brasileiras
Por Graça Paes, RJ
A produção audiovisual brasileira, os novos hábitos do público e os desafios para definir quais histórias contar foram alguns dos principais temas discutidos no Rio Market 2026, no dia 5 de outubro. Em dois painéis, executivos da Globo e da Disney+ analisaram as estratégias das plataformas de streaming e o papel da televisão aberta na formação de público e na valorização do cinema nacional.
O primeiro encontro, intitulado “Streaming: O que o Público quer Ver?”, foi mediado por Rodrigo Fonseca, crítico de cinema do Correio da Manhã RJ e da C7nema.net, e reuniu Alex Medeiros, Head de Conteúdo de Ficção da Globoplay e Globo Filmes, e Mônica Albuquerque, Vice-Presidente de Conteúdo Original Brasil da Disney+.
Produção nacional como diferencial
Alex Medeiros destacou que a produção de filmes e séries originais brasileiros é um dos principais diferenciais da Globoplay e da Globo Filmes. Segundo ele, a experiência acumulada pela Globo ao longo de décadas na produção de novelas e séries contribui para fortalecer a estratégia da plataforma.
Para o executivo, contar histórias brasileiras, ambientadas no país e com personagens e conflitos reconhecidos pelo público, é fundamental para gerar identificação.
“Esse é um entendimento importante, voltando à questão do público, porque se você olhar as nossas séries, nossos grandes sucessos, nós temos ‘Os Renegados’, agora ‘Emergência 53’ e ‘Jogada de Risco’, são séries que falam de situações, personagens e conflitos muito propriamente brasileiros e que também conversam com toda uma tradição das novelas”, explicou Medeiros.
Disney+ pretende ampliar produção brasileira
Mônica Albuquerque ressaltou que a diferenciação entre as plataformas é fundamental para conquistar a confiança do público. Segundo ela, a Disney+ chegou ao mercado brasileiro apoiada principalmente em grandes franquias internacionais e, agora, passa a ampliar sua produção nacional.
A executiva revelou que a plataforma pretende aumentar a escala de lançamentos brasileiros e, a partir do próximo ano, planeja disponibilizar um conteúdo original por mês, entre produções de ficção e documentários.
“A gente sempre deve partir desses dois temas: o que o público quer ver e que histórias a gente quer contar”, afirmou.
Para Albuquerque, o conteúdo audiovisual também exerce uma função de identificação e reflexão. “A nossa audiência quer se ver nessa história, quer ter a possibilidade de, vivendo a vida do outro, pensar na própria vida e nas suas relações”, destacou.
Durante o painel, os executivos também anteciparam alguns dos próximos lançamentos. Pela Disney+, foram anunciados “Virando o Jogo” e “Trinta e Tantos”. Já a Globoplay prepara “Verônika com K” e a quinta temporada de “Arcanjo Renegado”.
O papel da TV aberta
O segundo painel abordou “O Papel da Televisão Aberta na Indústria do Audiovisual Brasileiro: TV Globo” e contou com a participação de Gabriel Jacome, Diretor de Conteúdo da TV Globo.
Para Jacome, o crescimento da produção cinematográfica e audiovisual não representa o fim do processo, mas o início de uma jornada: o grande desafio é fazer com que essas produções alcancem o público.
O diretor também destacou a importância dos festivais, como o Festival do Rio, na divulgação de filmes e projetos alternativos, criando oportunidades para que sejam conhecidos, reconhecidos e premiados.
Jacome ressaltou ainda o papel histórico da TV Globo na exibição de filmes e na formação de público para o cinema. Segundo ele, a televisão aberta brasileira possui uma característica diferente da observada em diversos outros países.
“A televisão aberta na maioria dos países, inclusive em países chamados desenvolvidos, como Estados Unidos e países da Europa, não tem uma tradição de ter filmes na sua line-up, na sua programação”, explicou.
De acordo com o executivo, a Globo exibe cerca de 700 filmes por ano em suas diferentes sessões, mantendo uma tradição que já ultrapassa cinco décadas.
“Então, mais do que uma janela, é um compromisso, é uma responsabilidade e um espaço de formação de público”, afirmou.
Para Jacome, a televisão aberta continua sendo uma plataforma estratégica para manter o cinema e a produção audiovisual presentes no cotidiano dos brasileiros.
Rio Market segue até 10 de outubro
O Rio Market 2026 acontece até 10 de outubro, no Armazém da Utopia, reunindo discussões, workshops, encontros com profissionais do mercado e exibição de filmes.
A programação tem entrada gratuita, mediante aquisição prévia do *day pass* pelo Sympla.
A programação completa pode ser acompanhada pelo Instagram @riomarket_ e pelo site oficial do evento.



