quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Crítica de 'Avatar 3 - Fogo e Cinzas': Um Desbunde Visual que Peca na Repetição de Roteiro

Por Alexandre Giuberti, RJ

O diretor James Cameron retorna a Pandora com o terceiro capítulo de sua franquia, “Avatar: Fogo e Cinzas”, e encontra a família de Jake Sully (Sam Worthington) mergulhada no luto pela morte do filho mais velho, ocorrida no filme anterior. Paralelamente, o incansável antagonista Coronel Quaritch (Stephen Lang) se alia a um novo clã Na’vi — o Povo das Cinzas — com o objetivo de capturar Jake.

Do ponto de vista técnico, o filme é irrepreensível. Visualmente, é um espetáculo absoluto e talvez um dos raros casos em que o uso do 3D realmente faz sentido e agrega à experiência. É o tipo de obra que pede, quase exige, ser vista na melhor sala de cinema disponível, com a maior tela e o melhor sistema de som. “Avatar: Fogo e Cinzas” é um verdadeiro desbunde sensorial, capaz de deixar o público absorto diante da criatividade de Cameron. O diretor faz inúmeras pausas na narrativa para contemplar as belezas de Pandora e a relação simbiótica entre os Na’vi e os seres que os cercam, em uma tentativa clara de criar no espectador a mesma conexão que os personagens desenvolvem ao longo do filme.

O problema do filme, no entanto, está justamente em sua base: o roteiro. A história é rasa e repete temas já explorados nos capítulos anteriores da franquia. O terço final, em especial, é muito semelhante ao filme anterior, a ponto de provocar uma sensação de déjà vu, como se estivéssemos revendo cenas já conhecidas. A expectativa de explorar uma nova região de Pandora, com cenários, elementos e culturas inéditas, acaba sendo apenas parcialmente atendida. Novos povos até são apresentados, mas de maneira superficial. Praticamente só conhecemos a líder do Povo das Cinzas, Varang (Oona Chaplin), que, apesar do pouco material, consegue transmitir um pouco da força e do mistério dessa nova tribo em sua atuação.


O roteiro também tropeça em conveniências narrativas incômodas. Em diversos momentos, os personagens precisam encontrar objetos específicos ou acessar determinados locais sem que fique claro como obtiveram essas informações. Em um filme tão longo, a ausência desses detalhes pesa bastante e soa como preguiça narrativa, sobretudo quando percebemos que essas lacunas existem para abrir espaço a ainda mais cenas contemplativas, que já permeiam toda a obra.


No fim das contas, “Avatar: Fogo e Cinzas” se apresenta como uma belíssima obra audiovisual, tecnicamente deslumbrante, mas vazia de conteúdo. Falta densidade dramática e narrativa, resultando apenas em mais uma repetição do que a franquia já apresentou antes.


Assista ao trailer:

A Agência Zapp News já assistiu e nossa nota é 7.0. 




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