No sábado, dia 20 de dezembro, a
Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro – ACCRJ, escolheu os 10 melhores filmes de 2025 e
consagrou “O agente secreto”, do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, o
melhor longa do ano. Também dirigido por um pernambucano “O último azul”, de
Gabriel Mascaro, entrou na lista. No encontro, os críticos escolheram também as
homenagens póstumas e a melhor iniciativa cinematográfica para a curadoria de
cinema da TV Brasil.
Para o biênio 2026/2027, a
Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro conta com uma nova diretoria
composta pela presidente Ana Carolina Garcia, o vice-presidente Zeca Seabra, e
o secretário-geral Célio da Silva Junior.
Os 10 melhores filmes de 2025
Seleção ACCRJ:
“O agente Secreto”, de Kleber
Mendonça Filho - melhor filme do ano
“A hora do mal” (“Weapons”), de
Zach Cregger
“Anora”, de Sean Baker
“Conclave”, de Edward Berger
“Flow” (“Straume”), Gints
Zilbalodis
“O último azul”, de Gabriel
Mascaro
“Pecadores” (“Sinners”), de Ryan
Coogler
“Setembro 5” (“September 5”), de
Tim Fehlbaum
“Superman”, de James Gunn
“Uma batalha após a outra” (“One
Battle After Another”), de Paul Thomas Anderson
As homenagens póstumas serão
dedicadas aos cineastas Cacá Diegues, David Lynch e Silvio Tendler; à atriz
Diane Keaton, ao ator Gene Hackman e ao ator, cineasta e apoiador do cinema
independente Robert Redford.
Como melhor iniciativa
cinematográfica de 2025, a ACCRJ escolheu a atual curadoria de cinema da TV
Brasil, pelo destaque para a produção autoral brasileira. A emissora pública
renovou seu repertório de filmes, valorizando títulos de diferentes estados do
país e resgatando clássicos do cinema brasileiro.
No início de 2026, uma mostra na
Caixa Cultural, organizada pela ACCRJ, vai exibir os eleitos.
O diretor James Cameron retorna a Pandora com o terceiro capítulo de sua franquia, “Avatar: Fogo e Cinzas”, e encontra a família de Jake Sully (Sam Worthington) mergulhada no luto pela morte do filho mais velho, ocorrida no filme anterior. Paralelamente, o incansável antagonista Coronel Quaritch (Stephen Lang) se alia a um novo clã Na’vi — o Povo das Cinzas — com o objetivo de capturar Jake.
Do ponto de vista técnico, o filme é irrepreensível. Visualmente, é um espetáculo absoluto e talvez um dos raros casos em que o uso do 3D realmente faz sentido e agrega à experiência. É o tipo de obra que pede, quase exige, ser vista na melhor sala de cinema disponível, com a maior tela e o melhor sistema de som. “Avatar: Fogo e Cinzas” é um verdadeiro desbunde sensorial, capaz de deixar o público absorto diante da criatividade de Cameron. O diretor faz inúmeras pausas na narrativa para contemplar as belezas de Pandora e a relação simbiótica entre os Na’vi e os seres que os cercam, em uma tentativa clara de criar no espectador a mesma conexão que os personagens desenvolvem ao longo do filme.
O problema do filme, no entanto, está justamente em sua base: o roteiro. A história é rasa e repete temas já explorados nos capítulos anteriores da franquia. O terço final, em especial, é muito semelhante ao filme anterior, a ponto de provocar uma sensação de déjà vu, como se estivéssemos revendo cenas já conhecidas. A expectativa de explorar uma nova região de Pandora, com cenários, elementos e culturas inéditas, acaba sendo apenas parcialmente atendida. Novos povos até são apresentados, mas de maneira superficial. Praticamente só conhecemos a líder do Povo das Cinzas, Varang (Oona Chaplin), que, apesar do pouco material, consegue transmitir um pouco da força e do mistério dessa nova tribo em sua atuação.
O roteiro também tropeça em conveniências narrativas incômodas. Em diversos momentos, os personagens precisam encontrar objetos específicos ou acessar determinados locais sem que fique claro como obtiveram essas informações. Em um filme tão longo, a ausência desses detalhes pesa bastante e soa como preguiça narrativa, sobretudo quando percebemos que essas lacunas existem para abrir espaço a ainda mais cenas contemplativas, que já permeiam toda a obra.
No fim das contas, “Avatar: Fogo e Cinzas” se apresenta como uma belíssima obra audiovisual, tecnicamente deslumbrante, mas vazia de conteúdo. Falta densidade dramática e narrativa, resultando apenas em mais uma repetição do que a franquia já apresentou antes.
Assista ao trailer:
A Agência Zapp News já assistiu e nossa nota é 7.0.
Foram homenageados no evento, Antônio Pitanga, Nathália Timberg, Daniel Filho e Lázaro Ramos
Por Graça Paes
Terminou no último fim de semana de novembro, como já habitualmente faz parte do calendário anual dos festivais de cinema brasileiros e, integrado ao mês da consciência negra, o 3º Festival de Cinema de São Bernardo do Campo, realizado nos lendários pavilhões que sediaram a Cia. Cinematográfica Vera Cruz, considerada a “Hollywood Brasileira” dos anos dourados de 1950. Na noite de premiação com filmes de grande relevância nacional, o ator Diogo Almeida junto do idealizador Rudy Serrati, anunciaram os vencedores das mostras competitivas e quatro homenagens. O troféu Pérola Negra Ruth de Souza foi entregue a um dos atores homenageados, Antônio Pitanga, que esteve presente na cerimônia de entrega das estatuetas “Terra Bernardo de Ouro” aos cineastas premiados. Além do ator de “Bahia de Todos os Santos” (1960), Nathalia Timberg, Daniel Filho e Lázaro Ramos também receberam homenagens.
O grande destaque entre os longas foi o célebre filme premiado na 75ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale) “O ÚLTIMO AZUL” (2025), de Gabriel Mascaro, que garantiu quatro importantes premiações neste icônico festival realizado dentro da antiga indústria cinematográfica Vera Cruz: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Rodrigo Santoro), Melhor Atriz (Denise Weinberg) e Melhor Edição/Montagem. “PAPAGAIOS” (2025) de Douglas Soares, levou três estatuetas: Melhor Filme pelo Júri Popular, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. “KASA BRANCA” (2025), de Luciano Vidigal conquistou duas: Melhor Direção e Melhor Atriz Coadjuvante (Teca Pereira). O filme de estreia “RESTA UM” de Fernando Ceylão também garantiu duas estatuetas Terra Bernardo de Ouro por Melhor Roteiro e Melhor Ator (Caco Ciocler). “GRAVIDADE” de Leo Tabosa ganha o prêmio inédito do festival de Melhor Elenco. Já os filmes “PACTO DA VIOLA” de Guilherme Bacalhao, “CONSEQUÊNCIAS PARALELAS”, de Gabriel França e CD Vallada, “OGIVA: O MUNDO NÃO É MAIS NOSSO” do são-bernardense Cadu Rosenfeld, levaram uma estatueta cada por Melhor Direção de Fotografia, Melhor Desenho de Som e Melhor Caracterização respectivamente. “OS RUMINANTES” (2025), de Marcelo Mello e Tarsila Araújo, receberam o melhor longa de documentário e “NIMUENDAJÚ” (2025), de Tania Anaya, o melhor longa de animação brasileiros.
“Este ano contamos com a surpreendente participação do filme “O ÚLTIMO AZUL”, que demonstra a relevância e prestígio que o festival conquista a partir desta terceira edição, trazendo entre outros grandes filmes selecionados e premiados, esta obra que de forma inédita, participa de uma mostra competitiva em um festival de cinema brasileiro. Isso é motivo de orgulho e motivação para continuarmos investindo no festival, pois somos um território cultural ímpar em todo o país, na qual se tem este símbolo ainda vivo de terra do cinema, “planalto abençoado” e berço da indústria cinematográfica brasileira – aponta Rudy Serrati, curador e diretor do festival.
Entre os curtas de ficção nacional, “BOIUNA” (2025), de Adriana de Faria, levou a estatueta de Melhor Filme. Destaque também ao filme “SAMBA INFINITO”, de Leonardo Martinelli, que conquistou duas delas, a de Melhor Direção e Melhor Desenho de Som. Já o são-bernardense “Jd. HOLLYWOOD” (2025), de Filipe Travanca e Otávio Vidal, ganhou melhor curta de ficção regional. “VOCÊ ESTÁ NO CAMINHO CERTO” (2025), do cineasta paraense Marcos Corrêa, conquistou o melhor curta de documentário brasileiro, enquanto “SEU MAROTTI: A GLÓRIA DO ALAMEDA” (2024), de Milton Santos Jr., também de São Bernardo, levou o melhor curta de documentário regional. “YBYRÁ A’Ú – ESPÍRITO DA FLORESTA” (SP/2025), de Jonny Cansado, foi escolhida a melhor animação brasileira. O festival também premiou trabalhos de até sete minutos de jovens cineastas.
A terceira edição do festival de cinema de São Bernardo homenageou artistas que marcaram a história da televisão, do teatro, do cinema brasileiro e com relação à memória e ao período de atividades dos Estúdios Vera Cruz. A primeira homenageada foi a atriz Nathalia Timberg (96 anos), que integrou o elenco do TBC de 1959 até 1962 e que enviou um vídeo emocionante de agradecimento pela sua homenagem durante a cerimônia de premiação, juntamente com o artista também homenageado, Daniel Filho (88 anos), um dos principais responsáveis pela implantação e consolidação do modelo de produção de telenovela brasileira desde os anos 50, referência no Cinema Novo e um dos fundadores da Globo Filmes. Ambos artistas foram homenageados juntamente com o ator Antônio Pitanga com o troféu Pérola Negra Ruth de Souza.
Lázaro Ramos (47 anos), ator multifacetado, referência em representatividade e ativismo social, eleito o artista mais influente do Brasil pela FORBES 2025, foi homenageado pelo festival com outro importante troféu, que curiosamente em 2003, nos atuais galpões da antiga Vera Cruz, foram gravadas cenas de carceragens do filme CARANDIRU com o diretor Hector Babenco em que fez parte. Lázaro, em vídeo também exibido durante a cerimônia de premiação do festival, agradeceu a homenagem e celebrou os legados de Dona Ruth de Souza, na qual lançou recentemente a sua autobiografia à convite da atriz. Lázaro Ramos, portanto, foi reverenciado em conjunto pela sua trajetória e carreira artística com o Troféu MAZZAROPI, uma importante honraria do festival de cinema de São Bernardo do Campo, na qual foi dado na última edição e de forma inédita ao colega ator Matheus Nachtergaele.
“A presença de Antônio Pitanga nesta edição, os consagrados filmes brasileiros e artistas homenageados, emocionou todos os presentes e fortaleceu o propósito e relevância cultural do festival no Brasil, sobretudo, da urgência no olhar para este espaço, tanto para o fortalecimento do setor cultural regional como para o fortalecimento da indústria cinematográfica brasileira.”
Serrati continua o alerta: “Estamos em uma região estratégica e economicamente importante para o país, estamos na periferia da riquíssima capital do Estado de São Paulo, mas mesmo tendo mais de 20 mil metros quadrados herdados pela indústria do cinema brasileiro como patrimônio protegido e que ainda resiste ao tempo, não temos ainda uma única sala de cinema pública na cidade, além é claro da sala temporária construída dentro da antiga Vera Cruz durante a programação do festival. Estou confiante que os artistas, realizadores, distribuidores, gestores públicos e patrocinadores estão notando a importância da preservação da memória, da difusão e da celebração da nossa cultura brasileira a partir do Festival de Cinema de São Bernardo do Campo, que resgata, preserva, celebra e potencializa o cinema brasileiro”, enfatiza o idealizador Rudy Serrati.
O 3º Festival de Cinema de São Bernardo do Campo aconteceu de 26 e 30 de novembro de 2025. Todos os dias do festival foram marcados pela presença de filmes com nomes conhecidos nas artes cênicas, como Betty Faria, Tuca Andrada, Thiago Justino, Buda Lira, Divina Valéria, Soia Lira entre outros. O evento tem idealização, produção e realização da Cia. Cinematográfica Terra Bernardo com o apoio da Prefeitura de S. Bernardo do Campo.
Filmes Premiados 2025
Mostra “TERRA DO CINEMA” – Longas de Ficção
Melhor Filme – O ÚLTIMO AZUL (AM/2025), de Gabriel Mascaro
Melhor Filme Júri Popular – PAPAGAIOS (RJ/2025), de Douglas Soares
Melhor Roteiro – RESTA UM (RJ/2025), de Fernando Ceylão
Melhor Direção – KASA BRANCA (RJ/2025), de Luciano Vidigal
Melhor Direção de Fotografia – PACTO DA VIOLA (MG/2024), de Guilherme Bacalhao
Melhor Direção de Arte – PAPAGAIOS (RJ/2025)
Melhor Ator – RESTA UM (RJ/2025) – Caco Ciocler
Melhor Ator Coadjuvante – O ÚLTIMO AZUL (AM/2025) – Rodrigo Santoro
Melhor Atriz – O ÚLTIMO AZUL (AM/2025) – Denise Weinberg
Melhor Atriz Coadjuvante – KASA BRANCA (RJ/2025) – Teca Pereira
Melhor Elenco – GRAVIDADE (PE/2025), de Leo Tabosa
Melhor Edição/Montagem – O ÚLTIMO AZUL (AM/2025)
Melhor Desenho de Som – CONSEQUÊNCIAS PARALELAS (SP/2025), de Gabriel França e CD Vallada
Melhor Figurino – PAPAGAIOS (RJ/2025)
Melhor Caracterização – OGIVA: O MUNDO NÃO É MAIS NOSSO (SP/2024), de Cadu Rosenfeld
Melhor Longa de Documentário Brasileiro – OS RUMINANTES (SP/2025), de Marcelo Mello e Tarsila Araújo
Melhor Longa de Animação Brasileiro – NIMUENDAJÚ (MG/2025), de Tania Anaya
Curta-metragem de Ficção Brasileiro
Melhor Filme – BOIUNA (PA/2025), de Adriana de Faria
Melhor Roteiro – BENÇA (PR/2023), de Mano Cappu
Melhor Direção – SAMBA INFINITO (RJ/2025), de Leonardo Martinelli
Melhor Direção de Fotografia – TENTE SUA SORTE (PR/2025), de Guenia Lemos
Melhor Direção de Arte – O MENINO, O RECRUTA E O SARGENTO (SP/2025), de Daniel Chagas Martins
Melhor Ator – PONTO E VÍRGULA (RJ/2024) – Buda Lira;
Melhor Atriz – COMO CHORAR SEM DERRETER (RJ/2024) – Betty Faria
Melhor Edição/Montagem – ALÉM DA CULPA (DF/2025), de Israel Cordova
Melhor Desenho de Som – SAMBA INFINITO (RJ/2025)
Melhor Figurino – O MENINO, O RECRUTA E O SARGENTO (SP/2025)
Melhor Caracterização – DONA (MG/2025), de Anna Mol
Melhor Curta de Ficção Regional – JD. HOLLYWOOD (São Bernardo do Campo/2025), de Filipe Travanca e Otávio Vidal
Melhor Curta de Documentário Brasileiro – VOCÊ ESTÁ NO CAMINHO CERTO (SP/2025), de Marcos Corrêa
Melhor Curta de Documentário Regional – SEU MAROTTI: A GLÓRIA DO ALAMEDA (São Bernardo do Campo/2024), de Milton Santos Jr.
Melhor Curta de Animação Brasileiro – YBYRÁ A’Ú – ESPÍRITO DA FLORESTA (SP/2025), de Jonny Cansado
Mostra “Terra Bernardo” (filmes de até 07 minutos)
Melhor Curta-metragem de Ficção Brasileiro de até 7 minutos – TORMENTO (SP/2025), de Larissa Braga
Melhor Curta-metragem Documental Brasileiro de até 7 minutos – ME SINTO EM PAZ PENSANDO NO HOJE (SP/2025), de Paulo Gadioli
Melhor Curta-metragem de Animação Brasileiro de até 7 minutos – O MENINO QUE ENGOLIU O CHORO (MG/2025), de Joubert Amaral